sábado, 30 de junho de 2001

[ 10:50 ]

Hoje vou visitar meus pais em Águas de Lindóia, com o meu primo Flávio Santos e a minha amiga Rosinha Monkees. Já deveria estar a caminho, mas como a Rosinha tinha compromissos matutinos só poderemos zarpar no início da tarde. Voltamos para Sampa City amanhã. #

[ 10:33 ]

A gentil Dominique elogiou generosamente este modesto weblog: "Tenho visitado muitos blogs e um dos que mais gostei recentemente: Por um Punhado de Pixels. Design jóia, texto delicioso, ótimas dicas de filmes e tiradinhas excelentes." Thanks! #

[ 10:04 ]

Ontem assisti, em vídeo, Os Inocentes (The Innocents, EUA, 1961), do Jack Clayton. Um filme de horror do tempo em que o gênero não exigia um monstro ou um serial killer e uma pilha de cadáveres. A história é baseada no livro A Volta do Parafuso, do Henry James, uma trama que deixa sempre na dúvida se a protagonista está cercada por fantasmas ou se está enlouquecendo. A fotografia em preto e branco do Freddie Francis é brilhante, com luzes e sombras bem estudadas e profundidade de campo gigantesca (um rosto em primeiríssimo plano e a ação transcorrendo em foco ao fundo). Interessante. #

sexta-feira, 29 de junho de 2001

[ 15:38 ]

Som do dia: Pato Fu. "Eu queria tanto encontrar / Uma pessoa como eu / A quem possa confessar / Alguma coisa sobre mim" (de Eu, que bem poderia ser o hino dos blogueiros). #

[ 10:19 ]

Não demorou muito. Mal foi eleito presidente do Conselho de Ética do Senado, o senador Gilberto Mestrinho já começou a proferir atrocidades. "Vamos ver o que vale mais: a palavra de um senador ou a de um caseiro." Deveriam valer o mesmo, não é o que diz a constituição, "todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza"? Mas pensando bem, com senadores como esse, os caseiros estão em ampla vantagem. #

[ 09:54 ]

Entre os bons filmes, alguns são grandiosos e arrebatadores como sinfonias, outros são pequenos porém preciosos como concertos de câmara. Armadilha Mortal (Deathtrap, EUA, 1982), do Sidney Lumet, que assisti ontem mais uma vez em vídeo, faz parte deste último grupo. Baseada numa peça do Ira Levin (autor de, entre outras coisas, Rosemary's Baby), é uma engenhosa história de crimes e enganos, muito bem amarradinha, muito divertida. Michael Caine e Christopher Reeve fazem uma dupla um tanto inesperada, enquanto a Dyan Cannon passa quase todo o tempo gritando assustada. A trama brinca com a própria estrutura das peças de mistério, e está recheada das surpresinhas e reviravoltas exigidas no gênero. Um pequeno clássico. #

quinta-feira, 28 de junho de 2001

[ 21:06 ]

O Terra noticia: Tailandesa diz que o filho reencarnou em um lagarto. "Moradores da cidade de Nonthaburi, na Tailândia, estão fazendo romaria a uma casa para tocar e ver um lagarto. Chamlong Taengni, moradora do local, afirma que seu filho, Charoen, morto recentemente, aos 13 anos, em um acidente de moto, reencarnou no réptil. Os tailandeses acreditam que a 'reencarnação' é sinal de boa sorte." Se fosse aqui no Brasil, a manchete poderia ser: Baiana diz que o filho reencarnou em um burrico. O menino teria futuro assegurado no senado. #

[ 21:00 ]

Três comidas que eu gosto:

  • sushi de salmão
  • fondue de queijo
  • BigMac #

    [ 20:52 ]

    Três bebidas que eu gosto:

  • chá Earl Grey
  • vinho cabernet
  • Jack Daniel's #

    [ 17:17 ]

    Uma vez vi uma entrevista onde o Jerry Seinfeld dizia que o mais estranho de fazer uma série na tv é que muitos desconhecidos se sentem completamente familiarizados com o ator/personagem. Ele vai andando tranqüilamente pela rua e um sujeito nunca antes visto começa a caminhar ao seu lado e conversar como se fossem velhos amigos. Uma coisa parecida acontece com quem tem um weblog. Recebo emails de gente que lê o Por um Punhado de Pixels e me trata como se fôssemos companheiros de longa data. Essa é a parte boa. Mas a coisa fica um pouco estranha quando a pessoa imagina que eu a conheço tão bem como ela a mim e desata a falar de coisas sem qualquer explicação. Quem é o Paquito? Seu filho, seu marido, seu pai ou seu cachorrinho de estimação? Não tenho idéia. #

    [ 11:55 ]

    10 fotos x 10 galerias = Las 100 mejores imágenes de PhotoEspaña 2001 #

    [ 10:54 ]

    Tenho conversado por email com o Kazi, sobre cinema, Kurosawa, Hitchcock, Wenders, e outros. E para ilustrar uma idéia acabei indo buscar um trechinho antigo do Leopoldo Serran que eu gosto muito: "Filmes não são teses. Se você tem alguma coisa a provar, escreva um livro de filosofia, antropologia, o diabo que seja. Mas não escreva filme. Porque se o fizer, você não vai ser considerado um escritor. Vai ser considerado um chato." #

    [ 09:19 ]

    Ontem assisti, em vídeo, Pollock (Pollock, EUA, 2000), estrelado e dirigido pelo Ed Harris. É a história do pintor Jackson Pollock, mostrado no filme como um crápula, alcólatra, doentiamente invejoso, perversamente egoísta, violento, enfim, um pulha. Não entendi se a intenção era redimir o sujeito de alguma forma (o famoso "tentar compreender sua dor") ou mostrar a verdadeira imagem de um artista tido por muitos como gênio. Eu considero o trabalho do Pollock interessante e importante, mas ao mesmo tempo acho que é valorizado demais. Sim, ele tem um papel fundamental dentro do expressionismo abstrato, é o maior expoente do action painting, mas aquela idéia se esgotou rapidamente. E, acima de tudo, ter talento não justifica ser uma pessoa execrável. #

    quarta-feira, 27 de junho de 2001

    [ 12:55 ]

    Quem faz a web brasileira? Não os poderosos chefões, mas os capangas que concebem, escrevem, ilustram e codificam os sites. Se procurarmos nos grandes portais, descobriremos que todo este povo permanece anônimo para o público. Na AOL tem um link "quem somos", mas só com informações sobre a empresa. O UOL tem uma página de expediente, mas só lista a presidência e a diretoria. O BOL já teve página semelhante, agora não tem mais. No iG, no Terra e no Zip, nenhuma menção à equipe. Por que tanto anonimato para os profissionais da web brasileira? #

    [ 09:57 ]

    Ontem assisti, em vídeo, Sob Suspeita (Under Suspicion, EUA, 2000), dirigido pelo Stephen Hopkins. Uma bela trama policial, muito bem dirigida e muito bem editada, mas com um final pífio. Os diálogos são muito bons. O truque de colocar os personagens dentro do flashback que está sendo narrado no interrogatório funciona bem. Morgan Freeman e Gene Hackman estão perfeitos como gato e rato. Mas depois de tudo isso, a conclusão do filme decepciona muito. O que fica são alguns comentários mordazes e interessantes espalhados no depoimento do suspeito. Sobre sucesso: "Mediocre people tolerate success that comes to someone excepcional, like a movie star or an athlete. But when it comes to one of their own, ah... it strikes them as being an injustice." Sobre mulheres bonitas: "A beautiful woman moves through life unchallenged. Men giving them everything that they want. First their dads, then their boyfriends and husbands. To some of them, beauty is their only talent." #

    [ 09:39 ]

    Caetano Veloso novamente em destaque na Folha de S. Paulo, capa e mais uma página inteira na Ilustrada. Novamente? Velhamente. #

    terça-feira, 26 de junho de 2001

    [ 16:01 ]

    Som do dia: Veitequattro Capricci per violino solo, do diabólico Nicolò Paganini. #

    [ 10:08 ]

    Claudia Schiffer, Linda Evangelista, Tyra Banks... Não consigo entender muito bem essa coisa das top models. Elas ganham milhões. Para fazer o quê? Não cantam, não dançam, não falam, não escreveram livros, não pintaram quadros... Somente andam de um lado para outro ali na passarela, usando roupas que não foram feitas por elas. Sim, é um trabalho digno, merece ser remunerado, mas precisa dar todo aquele dinheiro para alguém andar meia dúzia de metros e voltar? #

    [ 08:52 ]

    Acho que nenhum filme conseguiu fazer o espectador odiar tanto uma sogra como Segredo de Sangue (Hush, EUA, 1988), escrito e dirigido por Jonathan Darby. Jessica Lange é a vilã perfeita, manipuladora, mentirosa, sem escrúpulos, dissimulada. Mas talvez esse grande mérito do filme também seja seu maior problema, já que o final acaba deixando a desejar. Quanto pior a vilã, maior o castigo, qualquer pessoa que assista telenovelas sabe disso. E em Hush ficamos sempre achando que a sogrona merecia mais. #

    segunda-feira, 25 de junho de 2001

    [ 16:37 ]

    A MTV está cada vez mais parecida com o SBT. Aquela que primava pela programação musical, geralmente de bom gosto, agora exibe coisas como Em Busca da Fama (show de calouros a la Sílvio Santos), Todo Mundo MTV (uma gincana!), Fica Comigo (clone do velho Namoro na TV), Gordo a GoGo (um Jô Soares Onze e Meia moderninho), Hermes e Renato (herdeiro do Chaves e congêneres). O fato de tentarem dar uma roupagem descolada, cult-trash, espertinha, não os redime: continua sendo um mergulho vertiginoso rumo à qualidade zero. #

    [ 13:34 ]

    Já tem algum tempo que não faço uma listinha. Aqui vai uma então, minhas cinco trilhas sonoras preferidas:

  • Koyaanisqatsi (Philip Glass)
  • Psycho (Bernard Herrmann)
  • The Piano (Michael Nyman)
  • Conan (Basil Poledouris)
  • Star Wars (John Williams) #

    [ 09:17 ]

    Assisti, em vídeo, A Nação do Medo (Fatherland, EUA, 1994), filme da HBO dirigido por Christopher Menaul. Eu sempre acho interessantes narrativas de história alternativa. Nesta, os nazistas venceram a guerra, dominaram a Europa, e estão prestes a fazer um tratado de paz com os EUA (liderados agora por um Kennedy, aquele que na verdade morreu na guerra). Só que, como são os vencedores que escrevem a história, ninguém sabe o que realmente aconteceu com os judeus e a versão oficial é que foram relocados para a Ucrânia. Cabe a um policial da SS e uma jornalista estadunidense desvendar o mistério. Não chega a ser das melhores tramas de história alternativa que já vi, mas é bem interessante. Para quem gosta do tema, um bom site é o Uchronia. #

    domingo, 24 de junho de 2001

    [ 20:36 ]

    O Spam Zine, que é distribuído por email, publicou um texto meu, Weblogs - Os Escribas Estão Soltos. #

    [ 18:14 ]

    Terminei de ler O Melhor Livro Sobre Nada (Frente Editora, 2000), do Jerry Seinfeld. Bem divertido, mas a tradução é das piores que já vi. Algumas passagens ficam completamente sem sentido porque o tradutor anônimo não sabia do que estava falando. Um bom exemplo é o último trechinho do livro. "Viver é ficar se mexendo. Infelizmente, isso significa que a vida toda a gente vai ficar procurando caixas." Aparentemente, o original usava o verbo "to move", que significa não só "se mexer" como também "se mudar", mas como o tradutor não foi esperto o suficiente para deduzir isso, todo o resto, três parágrafos sobre caixas, parece absurdo, já que as tais caixas não têm qualquer relação com ficar se mexendo. Lamentável. #

    [ 12:34 ]

    Estive dando uma olhada nos logs de acesso do Pijama Selvagem e descobri algumas coisas interessantes: que aparecemos n'O Globo do dia 18 de junho, que ganhamos um link no blog Em Alto Mar, e que as frases de busca que mais levaram gente ao site foram "homens pelados" e "como conquistar uma mulher". #

    [ 10:37 ]

    Da série sites engraçadinhos porém inúteis: Virtual Stapler. #

    [ 10:16 ]

    Suando Frio (Chill Factor, EUA, 1999), dirigido por Hugh Johnson, é daquela linha black & white: um ator negro e um ator branco, ambos envolvidos numa aventura tratada em tom de comédia. Cuba Gooding Jr. e Skeet Ulrich são os protagonistas aqui, o MacGuffin é uma arma química que detona com o calor, e o vilão é um ex-capitão do exército (Peter Firth, que em Amistad também era um capitão e que em Pearl Harbor foi um capitão novamente). Mais um filme 2D - divertido e descartável. #

    [ 10:06 ]

    Chegou aqui uma proposta de mecenato, com descrição detalhada dos direitos e deveres do "artista marido". Nosso departamento jurídico está analisando o documento com carinho. #

    sábado, 23 de junho de 2001

    [ 20:30 ]

    O outro programa cultural de hoje (nem tanto) foi assistir Shrek (Shrek, EUA, 2001), dirigido por Andrew Adamson e Vicky Jenson. A história é simples, mas o roteiro reserva alguns momentos de humor inspirado, em especial a luta com o bando de Robin Hood. Animação muito competente, vozes bem escolhidas (Mike Myers, Eddie Murphy, Cameron Diaz, John Lithgow), boa diversão para um sábado de frio e névoa. #

    [ 20:19 ]

    Fui com a minha mãe ao Itaú Cultural visitar a exposição Trajetória da Luz na Arte Brasileira. Uma seleção muito interessante de trabalhos, cerca de duzentos, cobrindo também quase duzentos anos de história, das paisagens coloniais de Taunay e Facchinetti à linguagem contemporânea de Cláudio Mubarac e Vik Muniz. Minha mãe ficou particularmente encantada por poder ver de perto os três quadros do Almeida Jr que estavam lá. Eu gostei de muita coisa, mas se tivesse que escolher uma só obra ficaria com a Messalina, um óleo sobre tela de Henrique Bernardelli com mais de dois metros de altura, pintado em 1880, ou então com a foto O Deus da Cabeça, do Mario Cravo Neto, numa ampliação de um metro por um metro, de 1988. Uma bela exposição. #

    [ 10:32 ]

    Começou esta semana a votação do Top Cadê?, onde a Esfera está concorrendo na categoria Notícias. Quem quiser nos prestigiar é só clicar no selinho da capa da Esfera ou ir diretamente à página de votação. #

    [ 10:12 ]

    Som do dia: Destinos Cruzados, trilha sonora original do filme. Há um mês assisti Random Hearts e gostei da música. Ontem não resisti e comprei o cd. Um jazz suave do Dave Grusin, o mesmo de The Fabulous Baker Boys. O sujeito é bom. #

    [ 09:59 ]

    Minha mãe veio passar o weekend comigo, e ontem fomos assistir Alguém Como Você (Someone Like You, EUA, 2001), dirigido por Tony Goldwyn. Típica comédia romântica, com rostinhos para agradar meninos (Ashley Judd, Marisa Tomei) e meninas (Greg Kinnear, Hugh Jackman), e com final feliz. Basicamente, existem duas tramas possíveis para uma comédia romântica. Ou é a história de um grande amor que sofre percalços para que no fim os pombinhos se reúnam, ou é a história de um grande amor não percebido para que no fim os pombinhos se dêem conta do sentimento. Alguém Como Você é deste último tipo, previsível, divertida e descartável como deve ser uma comédia romântica. "Never underestimate casual sex, Jane, it can be very liberating." #

    sexta-feira, 22 de junho de 2001

    [ 17:30 ]

    Frase do dia: "Watch the donut, not the hole." (Ken Kesey) #

    [ 13:10 ]

    O Seinfeld conseguiu resumir os vilões da série 007: "Ah, Mr. Bond, seja bem-vindo. Deixe-me mostrar-lhe todo o meu plano sinistro e depois matá-lo com uma máquina que não funciona." #

    [ 11:51 ]

    Eu acho uma palhaçada essas notícias que dizem "o dólar subiu" ou "o dólar caiu". Não é o dólar que está flutuando, é o real. É um eufemismo imperdoável ficar anunciando que o dólar está disparando quando na verdade é o real que está despencando. Aí surgem aquelas manchetes fantasiosas, como a da Folha de S. Paulo de hoje: "Após minichoque de juros, governo vai ao FMI, intervém no câmbio e derruba dólar". A única coisa que o governo anda derrubando de verdade é a própria credibilidade. #

    [ 10:10 ]

    Ontem assisti, em vídeo, A Sangue Frio (The Way of the Gun, EUA, 2000), do Christopher McQuarrie. Boa história, bom elenco (Ryan Phillippe, Benicio Del Toro, James Caan, Juliette Lewis), mas ficou faltando alguma coisa, talvez uma direção mais firme. Não é fácil contar uma história excessivamente tortuosa, onde quase todos os personagens estão interligados de alguma forma. E tem também aquela coisa um pouco difícil de engolir, do bandido bonzinho contra o bandido mauzinho. O roteiro, porém, está recheado de frases apetitosas, como "fifteen million dollars is not money, it's a motive with a universal adaptor on it" ou "a plan is just a list of things that aren't going to happen". #

    quinta-feira, 21 de junho de 2001

    [ 19:23 ]

    No termômetro: 10°C. Começo a admirar os ursos. No início do inverno eles se enchem de comida, se enfiam numa caverna e dormem até o calor voltar. Animais espertos. E com esse frio me atormentando fui até a locadora devolver uns vídeos. Acabei alugando dois lançamentos, Suando Frio e A Sangue Frio. Muito apropriado. #

    [ 12:36 ]

    Por que essa mania de botar uma introdução animada nos sites? Você fica ali esperando um tempão, olhando para a tela que diz "loading... loading... loading". Aí aparecem uns objetos flutuando, um loop de música tecno, e acabou. Qual a utilidade? Aparentemente, nenhuma. Talvez seja para mostrar que o webdesigner sabe fazer coisas mais bacanas que o site que você vai ver. Só tem uma parte dessas animações que eu gosto, aquele link que diz "skip intro". #

    [ 10:54 ]

    O Thiago Lopes me mandou um email se solidarizando comigo na luta contra a burocracia. Segundo ele, a palavra burocracia vem do francês (bureau = escritório, cratie = governo), mas se viesse do grego seria podoscrotia (podos = pé, scroto = saco). #

    [ 09:41 ]

    O American Film Institute fez a lista dos cem melhores thrillers de todos os tempos. Deu Psycho (do Hitchcock) na cabeça, seguido por Jaws (Spielberg), The Exorcist (Friedkin), North by Northwest (segundo Hitch na lista), The Silence of the Lambs (Demme), Alien (Scott), The Birds (Hitch de novo), The French Connection (mais um Friedkin), Rosemary's Baby (Polansky) e Raiders of the Lost Ark (segundo Spielberg). Grande mistura de gêneros, mas o critério foi o impacto provocador da adrenalina do espectador. O Hitchcock emplacou nove títulos na lista, seguido pelo Spielberg com seis. #

    [ 09:25 ]

    Frase do dia: "Ah, mas que sujeito chato sou eu, que não acha nada engraçado, macaco, praia, carro, jornal, tobogã, eu acho tudo isso um saco." (Raul Seixas) #

    [ 08:17 ]

    Ameaça toma conta de uma nave espacial e os tripulantes vão sendo mortos um a um. É surpreendente a quantidade de filmes com essa história desde que Alien lançou o gênero. E além de não variarem o enredo (muda a ameaça, e pouco mais), a qualidade vai piorando a cada cópia. O que assisti ontem em vídeo, Supernova (Supernova, EUA, 2000), é tão ruim que até o diretor pulou fora da empreitada. Walter Hill disse que não brincava mais, foi embora e mandou tirarem seu nome dos créditos, deixando um fictício Thomas Lee assinando a direção. Francis Ford Coppola também pôs as mãos em Supernova, tentou ajudar na edição, mas tampouco deixou botarem seu nome na coisa. E não adianta ter um elenco competente (James Spader, Angela Bassett, Robert Forster, Lou Diamond Phillips, Robin Tunney), se a história é ruim e cheia de buracos o filme está destinado ao fracasso. #

    quarta-feira, 20 de junho de 2001

    [ 21:42 ]

    Jogo da vez: Faraó. "Construa um Reino. Domine o Nilo. Viva para Sempre." #

    [ 19:28 ]

    O Melhor Livro Sobre Nada é basicamente uma compilação das coisas que já vimos o Seinfeld dizer na televisão. Algumas são muito engraçadas. Pena que a tradução, além de anônima, seja tão fraquinha. "É como Muhamad Ali, Mahatma Gandhi e o juiz Nicolau dos Santos." Quem foi o anormal que escreveu isso? O Seinfeld nem deve saber quem é o juiz Nicolau dos Santos, e mesmo que soubesse duvido que o usasse em seu texto. Que mania estúpida de querer adaptar o que não precisa ser adaptado. #

    [ 18:13 ]

    Hegel aplicado à realização cinematográfica: o roteiro é a tese, a filmagem é a antítese, o filme é a síntese. #

    [ 10:20 ]

    O pior spam é o que afirma não ser spam, uma afronta à inteligência da vítima. "We strongly oppose the use of SPAM email and do not want anyone who does not wish to receive our mailings to receive them. This is not SPAM." Então que nome eles dão às mensagens comerciais não solicitadas que me enviam? #

    [ 09:58 ]

    Continua meu ciclo Kurosawa em vídeo, agora com A Sombra do Samurai (Kagemusha, Japão, 1980). Belo filme, história interessante, contada de forma pausada (a primeira cena tem uns cinco minutos, sem qualquer corte ou movimento de câmara), com batalhas coloridas que parecem bailados coreografados por um general demente. Só não entendo bem por que os soldados japoneses andavam com aquelas bandeirinhas nas costas. Facilitava a identificação mas ao mesmo tempo transformava o coitado em alvo fácil. Gostei de rever Kagemusha. O que perturbou um pouco foram as legendas ridículas, com erros absurdos como "os lordes guerreiros anciavam" e "se ingnorarem minhas ordens". #

    terça-feira, 19 de junho de 2001

    [ 16:48 ]

    Som do dia: Porgy & Bess, ópera-jazz do George Gershwin, cantada pela Ella Fitzgerald e pelo Louis Armstrong. "Oh, I got plenty o' nuttin' / An' nuttin's plenty for me. / I got no car, got no mule, got no misery. / De folks wid plenty o' plenty / Got a lock on dey door, / 'Fraid sombody's a-goin' to rob 'em / While dey's out a-makin' more. / What for?" (de I got plenty o' nuttin'). #

    [ 13:11 ]

    Fiquei impressionado com a quantidade de blogueiros revoltados com o site TopBlogs. Todos opinam sobre isso e aquilo em seus weblogs, mas quando aparece alguém opinando sobre os próprios weblogs agitam-se logo bandeiras de "você-não-tem-esse-direito". Chega a ser engraçado. Eu, como fiquei entre os top five, digo que lidar com a crítica é fácil. Basta ela ser boa. #

    [ 11:52 ]

    Perdi a manhã numa visita infrutífera ao Ministério da Fazenda. Como é habitual, ninguém sabia muito bem como resolver o assunto. Depois de várias consultas entre colegas, chegaram à conclusão que o melhor a fazer era esperar, como se eu já não estivesse esperando desde fevereiro que me mandassem uma guia de pagamento. Os mais inocentes acham estranhas a incompetência e a má vontade do funcionalismo público brasileiro, seguindo a lógica de que eles são pagos pelo povo e portanto deveriam trabalhar bem para o povo. Mas o que acontece na verdade é que os funcionários públicos são pagos pelo governo, com parte do dinheiro estorquido do povo, e portanto trabalham na linha do governo, que é manter o povo atrapalhado para ser melhor controlado. Teoria da conspiração? #

    [ 08:12 ]

    Diz o Seinfeld n'O Melhor Livro Sobre Nada: "Adoro livrarias. São as únicas provas concretas de que as pessoas ainda estão pensando." Isso porque ele não viu a vitrine de uma livraria brasileira, com coisas como O Monte Cinco, Um Manual para a Vida, Pílulas para Viver Melhor, Anjos Cabalísticos... #

    [ 07:49 ]

    Assisti, em vídeo, Guerra de Canudos (Brasil, 1997), do Sérgio Resende. Bela produção. Li em algum lugar que tiraram centenas de postes elétricos do lugar para construir a réplica de Canudos. Boa cenografia, bons figurinos. Felizmente o filme não toma partido e mostra fanáticos de ambos os lados da questão, apesar de apresentar de forma um tanto simpática o Antônio Conselheiro (José Wilker de olhos arregalados e barba e cabeleira postiças). O homem era um louco, fanático religioso, obscurantista, misturava política e religião, atacava a república para defender a monarquia, liderou um bando de desgraçados e se aproveitou da credulidade deles. Nunca entendi como ainda tem gente que o considera herói. #

    segunda-feira, 18 de junho de 2001

    [ 15:09 ]

    Recebi um email da Cris Aspesi informando que este modesto Por um Punhado de Pixels está entre os top five do site TopBlogs. E já vi que estou em ótima companhia por lá. Bacana! #

    [ 14:39 ]

    Dois textos novos no Pijama Selvagem, um do Doc Mariz, outro do Renato Rossi. #

    [ 13:31 ]

    Há uns meses comprei o livro do Jerry Seinfeld, O Melhor Livro Sobre Nada (Frente Editora, 2000), mas a Rosinha Monkees imediatamente o raptou e só agora o devolveu. Comecei a ler e esbarrei com o trecho "Então, Zé, o chefe acha que...". Zé? Tenho certeza que não foi isso que o Seinfeld escreveu, deve ter sido Joe ou algo assim. Fui ver quem tinha feito essa tradução mambembe e, surpresa, não está creditado em lugar algum. O livro informa quem fez a capa, quem fotografou, quem diagramou, quem revisou, quem coordenou, quem fotolitou, até que tipo de letra foi usado na composição, mas não diz quem traduziu. Depois do ghost writer agora temos o ghost translator. #

    [ 11:02 ]

    Tristes tempos em que os cadernos de cultura dos jornais têm menos páginas que os cadernos de economia. Na Folha de S. Paulo de hoje, oito páginas de Folha Invest contra seis páginas de Folha Ilustrada. #

    [ 10:07 ]

    Eu gosto de filmes sobre esportes. Acho que o Kevin Costner também, pois já trabalhou em vários. Bull Durham (baseball), Field of Dreams (baseball), Tin Cup (golf) e o que eu assisti ontem, Por Amor (For Love of the Game, EUA, 1999), do Sam Raimi, mais um sobre baseball. O encanto maior de filmes centrados em esportes é que fica fácil atribuir vitórias, as recompensas por um trabalho bem feito aparecem com nitidez, e mesmo as derrotas com esforço visível são claramente reconhecidas. For Love of the Game não é um grande filme mas tem exatamente esta virtude, a de mostrar a recompensa merecida por uma vida de dedicação. A história de amor que o título brasileiro manhosamente privilegia nem é o mais importante, mas a presença charmosa da Kelly Preston certamente ajuda. #

    [ 09:56 ]

    Segunda-feira fria, chuvosa, escura, lúgubre. Vontade de ficar na cama. #

    domingo, 17 de junho de 2001

    [ 18:06 ]

    Cowboys do Espaço (Space Cowboys, EUA, 2000), do Clint Eastwood, é um filme simpático, um pouco previsível e muito mentiroso. O que mais gostei foi a valorização dos veteranos numa sociedade que parece dominada pela juventude. Quase tudo que se produz hoje em termos de entretenimento é direcionado aos jovens, o cinema adolescente se tornou a corrente mais forte, a música teenager é quase onipresente em rádios e tvs, temos celebridades de 25 anos escrevendo autobiografias, o mercado de trabalho em várias áreas já começa a considerar velho quem passou dos trinta. No meio disso tudo, é fácil simpatizar com os velhotes (Clint Eastwood, Tommy Lee Jones, Donald Sutherland e James Garner, este último um pouco apagado em comparação com os outros) dando a volta por cima (literalmente) em Space Cowboys. E não passa despercebida a homenagem sutil aos três mosqueteiros de Dumas, que também deixaram a aposentadoria em O Máscara de Ferro e contavam com um religioso, um brigão e um mulherengo. Para descompromissadas tardes de domingo. #

    [ 17:33 ]

    Quando um país onde pouca gente fala inglês é invadido pelos anglicismos da informática, é comum ouvirmos atrocidades contra o idioma. Algumas que me irritam particularmente são cada vez mais usadas:

  • cederrum - evidentemente, o o de cd-rom deve ser pronunciado como o mesmo, não há razão para o transformar num u (a não ser que se trate de um quarto reservado para guardar cds, o cd-room)
  • êmail, êcommerce, etc - evidentemente, aquele e deve ser pronunciado como um i, se a idéia é abrasileirar então já existem as expressões correio eletrônico, comércio eletrônico, etc
  • memória ram - evidentemente, ram é abreviatura de random access memory, ou seja, a palavra memória já está incluída e não deve ser repetida #

    [ 12:33 ]

    Li hoje o Asterix e Latraviata (Editora Record, 2001), e confesso que fiquei um pouco decepcionado. Sim, são os velhos e queridos personagens, às voltas com novas aventuras, mas o encanto já não parece ser o mesmo. O humor do Goscinny era bem mais afiado e as histórias do Uderzo nunca chegaram ao mesmo nível. Além disso, com o passar do tempo tem sido exagerado o respeito pelo inimigo que havia entre César e os gauleses irredutíveis, se tornando quase uma amizade, o que acaba por estragar o conflito que serve de pano de fundo a toda a série. Que o céu não caia sobre as nossas cabeças... #

    [ 10:08 ]

    Ontem assisti, em vídeo, A Cilada (The Art of War, EUA, 2000), dirigido por Christian Duguay. O que aconteceria se um agente secreto fosse escolhido para bode expiatório de uma daquelas tramas políticas maquiavélicas? É mais ou menos a história deste filme, com um 007 negro (Wesley Snipes) acusado de assassinato e tentando desvendar a trama por conta própria. Boa produção, bom elenco (Anne Archer, Michael Biehn, Donald Sutherland), uma aventura divertida, mas certas partes do roteiro são dolorosamente óbvias (do esconderijo do mecanismo de localização à identidade do vilão) e outras descaradamente fora da realidade (a ONU negociando pactos comerciais). Para ver e esquecer. #

    sábado, 16 de junho de 2001

    [ 21:35 ]

    Certos comentaristas de cinema, com o tempo, tornam-se referenciais inequívocos. Recentemente descobri um que sempre tem uma opinião diametralmente oposta à minha. Quando ele fala bem de um filme já sei que não vou gostar. Por outro lado, quando fala mal fico logo de antenas ligadas porque deve ser um bom filme. É o Robledo Milani, do Argumento. Algumas pérolas recentes foram sobre Amores Brutos ("Uma tortura. Nota: 3") e Miss Simpatia ("Imperdível! Nota: 8,5"). #

    [ 21:20 ]

    Som do dia: o pianinho cool do McCoy Tyner. #

    [ 10:30 ]

    Muito bom o filme O Beijo da Traição (Judas Kiss, EUA, 1998), escrito e dirigido por Sebastian Gutierrez. Aluguei a fita motivado por dois nomes no elenco, Emma Thompson e Alan Rickman, que interpretam os policiais da história, uma dupla admiradora de Jim Thompson. Bela trama, bem contada, vou ficar de olho neste diretor de quem nunca tinha ouvido falar. #

    [ 10:08 ]

    E os Lakers conquistaram mais um campeonato, batendo os 76ers novamente ontem por convincentes 108 x 96 e garantindo um recorde impressionante: melhor percentagem nos playoffs, 93,8%, com quinze vitórias e somente uma derrota. Como a NBA vai explicar agora aquela enxurrada de prêmios para o time errado? Se Larry Brown é o melhor técnico da liga, por que foi Phil Jackson a ficar com o título (seu oitavo, por sinal)? Se Dikembe Mutombo é o melhor jogador defensivo, por que não conseguiu parar Shaquille O'Neal (que levou o trofèu de MVP dos playoffs pelo segundo ano consecutivo)? Se Allen Iverson, bonequinha de luxo, é o jogador mais valioso da temporada, por que sua equipe não ficou com o campeonato? "I'm happy. ... But I'm also greedy, and I'm not done. So I will take a week off, start working out again, come back leaner and meaner and try to get another one next year." (Shaquille O'Neal) #

    sexta-feira, 15 de junho de 2001

    [ 18:46 ]

    Cinco coisas escritas que me incomodam:

  • texto sem acentos ou cedilhas (preguica e falta de consideracao...)
  • palavras começadas com maiúsculas (o Teatro, a Filosofia...)
  • texto inteiro com maiúsculas (HORRÍVEL DE LER...)
  • excesso de pontos de exclamação (ridículo!!!!!)
  • excesso de aspas (uma "coisa" muito "estranha"...) #

    [ 16:04 ]

    Frase do dia: "A mente humana não suporta muita realidade." (T.S. Eliot) #

    [ 10:26 ]

    Ontem eu e a Rosinha Monkees fizemos uma sessão dupla. Primeiro assistimos Profissão de Risco (Blow, EUA, 2001), do Ted Demme. O filme é até bem feito, mas parece simpatizar com o protagonista, ninguém menos que George Jung, um grande traficante de cocaína. Ele é freqüentemente mostrado quase como vítima da situação, o que torna essa cinebiografia perigosa, pois um coitadinho traído por todos, levado à prisão primeiro pela mãe e depois pela esposa, apresentado acima de tudo como um pai amoroso, acaba recebendo um perdão fácil que ele não merece. O que vimos depois foi bem melhor, um thriller descompromissado mas muito bem construído, Na Teia da Aranha (Along Came a Spider, EUA, 2001), do Lee Tamahori. O Morgan Freeman repete a interpretação do detetive e psicólogo forense Alex Cross, o mesmo de Kiss the Girls, numa trama que tem sutis pontos em comum com o filme anterior. Fiquei curioso para ler os livros do James Patterson. #

    quinta-feira, 14 de junho de 2001

    [ 11:07 ]

    Ontem assisti mais uma vez, em vídeo, um dos meus filmes preferidos do Blake Edwards: S.O.B. (S.O.B., EUA, 1981). É uma sátira furiosa à Hollywood, mas mostrando que por baixo de todo aquele jogo de interesses ainda existem algumas amizades verdadeiras, ainda que ingênuas. Elenco de peso: Julie Andrews, William Holden, Marisa Berenson, Larry Hagman, Robert Loggia, Robert Vaughn, Shelley Winters, e Rosanna Arquette num papel minúsculo com direito a topless. Espremido entre dois grandes sucessos na carreira do Edwards, o brochante Mulher Nota Dez e o divertido Victor/Victoria, este S.O.B. infelizmente sempre fica meio esquecido. Ah, ao contrário do que muita gente pensa, S.O.B. não é Son Of a Bitch, mas sim Standard Operational Bullshit. #

    [ 10:48 ]

    Não teve jeito, os Lakers ganharam mais uma vez dos 76ers, convincente placar de 100 x 86. Desta vez a arbitragem não entrou muito na onda do Allen Iverson. Aliás, ele joga muito, é um atleta extraordinário, mas reclama tanto que parece uma mocinha mimada. Não podem chegar perto que ele já diz que foi falta. Irrita. Sem reclamar, Shaquille O'Neal fez 34 pontos e pegou 14 rebotes, Kobe Bryant marcou 19 pontos, pegou 10 rebotes e fez 9 assistências (mais uma e seria um triple-double). Mais uma vitória e os Lakers serão bicampeões. #

    quarta-feira, 13 de junho de 2001

    [ 20:15 ]

    O serviço de atendimento ao usuário do Yahoo! é uma piada. Escrevi para lá relatando um problema. Um mês depois, recebo a seguinte resposta: "(...) Lamentamos pelo atraso em responder a esta mensagem. Nós entendemos que você pode já ter resolvido esse assunto em um email subsequente [sic]. Entretanto, se você ainda tiver algum problema ou pergunta, por favor, responda a esta mensagem e nós a responderemos o quanto antes. (...)" Eu respondi informando que o problema não tinha sido solucionado. Um mês depois, recebo novo email, em resposta ao meu: "(...) Lamentamos pelo atraso em responder a esta mensagem. Nós entendemos que você pode já ter resolvido esse assunto em um email subsequente [sic]. Entretanto, se você ainda tiver algum problema ou pergunta, por favor, responda a esta mensagem e nós a responderemos o quanto antes. (...)" Será que eles continuam até o usuário desistir? #

    [ 16:58 ]

    Eu sempre implico com o mau uso da palavra acústico para indicar um espetáculo que não tenha instrumentos elétricos ou eletrônicos. Mas na revista Bizz encontrei uma muito pior, no comentário sobre o novo cd do Manu Chao: semi-acústico! O autor da pérola é o Emerson Gasperin, também conhecido como Tomate. #

    [ 10:30 ]

    Continua o meu ciclo Kurosawa: o filme de ontem foi Trono Manchado de Sangue (Kumonosu jo, Japão, 1957), que eu tinha visto há muito tempo. Ótima adaptação do Macbeth shakespeareano para o ambiente do Japão medieval. A cena da floresta se movendo em direção ao castelo é muito bonita, quase um momento de poesia no meio de toda aquela guerra. E por vezes eu acho que o Kurosawa gostava fazer adaptações de Shakespeare só por causa das vilãs. Aquelas japonesas todas maquiadas e vestidas a rigor, de movimentos precisos e postura servil, como a Lady Macbeth deste filme, são sempre as responsáveis por todas as tramas sujas, conspirando no background e influenciando os maridos que se acham grandes guerreiros e acabam agindo como marionetes. Dá até para escrever um livro sobre elas: Maquiavel Era uma Gueixa. #

    terça-feira, 12 de junho de 2001

    [ 22:26 ]

    Jogo da vez: Heroes of Might and Magic III. Estratégia com toques de rpg, e agora resolveram parcialmente um dos maiores problemas das versões anteriores: os heróis não passavam de uma missão para outra, tornando um pouco inútil todo aquele trabalho de evolução. Desta vez, os heróis principais passam para as missões seguintes, dentro de um linha narrativa, mas deixam para trás os exércitos e os artefatos acumulados. #

    [ 15:53 ]

    Encontrei um velho caderno de anotações onde eu escrevia comentários sobre cinema. Numa letra apressada, com os títulos sublinhados em azul, até parece um protoblog. Um trechinho: "Li alguns textos de Pudovkin escritos em 1926. Eles falam basicamente sobre a montagem cinematográfica, usando aquele modelo do 'observador privilegiado'. E já há citações a coisas como ponto-de-vista, determinante e suspense, ainda que não com estes nomes. 'Volto a repetir que o cinema é excepcionalmente econômico e preciso. Nele não há, e não deve haver, nenhum elemento supérfluo.'" (05out84) #

    [ 10:42 ]

    É impressionante como existe gente sem noção da realidade. Esta semana tive um bom exemplo disso. Recebi email de um leitor da Esfera elogiando o site e perguntando onde poderia comprar os livros do Marlowe mencionados num dos nossos textos. A Esfera não é livraria nem mecanismo de busca, mas pensei que a mensagem pudesse ser de um novato na internet e resolvi ajudar. Fiz uma rápida pesquisa e encontrei as obras completas do Marlowe numa livraria online brasileira. Enviei o link para o rapaz e imaginei ter feito a minha boa ação do dia. Mais tarde, recebo duas mensagens do mesmo leitor dizendo que o link não funcionava. Expliquei a ele que como a url era muito grande (e são mesmo gigantescas essas urls de ecommerce) ele teria que copiar as linhas do email e juntá-las no browser ou então ir diretamente à página inicial da tal livraria e usar o mecanismo de busca que havia lá. Mais uma vez, achei que tinha sido uma missão cumprida. Nada disso, logo voltei a receber uma mensagem do rapaz, dizendo que não tinha conseguido usar os métodos sugeridos e solicitando que eu lhe mandasse agora o telefone de alguma empresa que vendesse o livro. Respondi educadamente comunicando que não tinha tal informação, e desta vez achei que o assunto estava encerrado. Mas nunca devemos subestimar o poder da estupidez humana. O mentecapto me mandou ontem a seguinte mensagem, em triplicado: "Vocês rasgaram o código de defesa do consumidor. Me fizerem perder tempo e dinheiro com pesquisas, oferecendo um [sic] resposta que não existe. Colocam uma matéria no site e não tem [sic] a mínima responsabilidade por ela. Belo trabalho." A criatura não se dá conta que visitou um site feito sem interesses comerciais, usufruiu de conteúdo oferecido gratuitamente a ele, e ainda contou com a boa vontade dos responsáveis para encontrar o livro que ele queria. Fico me perguntando para que um parvo desses quer ler Marlowe. #

    [ 10:22 ]

    Ontem assisti, em vídeo, Revelação (What Lies Beneath, EUA, 2000), certamente o pior filme do Robert Zemeckis. A trama vai tateando entre o mistério policial e a história de fantasmas, e não consegue convencer nem como uma coisa nem como outra. É uma coleção de possibilidades perdidas. Poderia ter sido um bom thriller (tirem o fantasma, deixem o assassinato). Poderia ter sido um bom estudo sobre a loucura (tirem o fantasma, façam com que seja tudo imaginação da moça). Poderia ter sido até mesmo um bom filme de terror (tirem toda aquela mise-en-scène de filme policial e dêem mais espaço para o fantasma). No final, é só um desperdício de talento. #

    segunda-feira, 11 de junho de 2001

    [ 22:22 ]

    Som do dia: The Doors, cd que veio na revista Bizz com gravações inéditas e remasterizadas extraídas do The Doors Box Set. "Hello, I love you / Won't you tell me your name? / Hello, I love you / Let me jump in your game / She holds her head so high / Like a statue in the sky / Her arms are wicked, and her legs are long / When she moves my brain screams out this song" (de Hello, I love you). #

    [ 22:05 ]

    Comentários elogiosos a este modesto Por um Punhado de Pixels no weblog Elerus. "Thanks cannot pay what kindness freely gives." (John Masefield) #

    [ 11:54 ]

    Material novo no Pijama Selvagem: mais um texto do Gabriel Perissé e sete do Paulo Rebêlo. #

    [ 09:19 ]

    Deu no Chicago Tribune: "And, for heaven's sake, graduates, don't bother going to journalism school. Don't major in journalism. Take a class or two, yes, to learn the rules of the trade. But you have an aptitude or you don't, and the way to develop that is mostly by doing it. Go do it." #

    [ 08:11 ]

    Comecei a ler Cultura da Interface (Jorge Zahar Editor, 2001), do Steven Johnson. A julgar pelo prefácio, promete idéias interessantes, com analogias culturais e muita influência de McLuhan. Talvez ainda seja cedo, mas achei estranho um dos pontos centrais do livro: "tentei pensar sobre os elementos do design de interface de nossos dias como se fossem os equivalentes culturais de um romance de Dickens, um filme de Welles, um prédio de Rem Koolhaas". Parece que há aí uma certa confusão entre forma e conteúdo, mas vou esperar o autor se explicar melhor antes de avançar com contra-teorias. #

    [ 07:57 ]

    Ontem assisti, em vídeo, Heavy Metal 2000 (Heavy Metal 2000, Canadá/Alemanha, 2000), de Michael Coldewey e Michel Lemire. Nenhuma relação com o primeiro Heavy Metal, a não ser o título. A história é razoável, mas não consegue fugir dos clichês. Vilão busca o segredo da imortalidade, heroína vai atrás dele por vingança. Fica sem explicação como uma moça criada num planeta de agricultores pacíficos pode ser exímia espadachim e pistoleira. Na trilha sonora, Queens Of The Stone Age, Bauhaus, Pantera e Billy Idol (que também dubla um dos personagens). #

    [ 07:44 ]

    Se na sexta-feira a arbitragem da NBA deu umas deslizadas, ontem chegou bem perto de estragar o jogo entre Lakers e 76ers. Marcaram faltas inexistentes contra o Bryant e o Fisher. Deixaram de marcar faltas em vários ataques do Bryant. Apontaram uma falta de continuação sobre o Iverson quando ele não estava no ar arremessando. Marcaram duas faltas altamente questionáveis contra o Shaq, que acabou fora do jogo por excesso de faltas a mais de dois minutos do final. Deixaram passar o desacato do Iverson (se atirando no chão como criança mimada ao discordar dos juízes) no que deveria ter sido sua segunda falta técnica (e automática expulsão). Nunca tinha visto tantas bobagens dos árbitros num só jogo. Mesmo assim, os Lakers ganharam, e agora lideram a série por 2 x 1. #

    domingo, 10 de junho de 2001

    [ 19:37 ]

    Nova edição da Esfera, revista de cultura online: Graziella Moretto, Chrystianne Rochat, Traditional Jazz Band, Adriana Capparelli, Lemony Snicket, Martha Argel, F1 Racing Championship, He-Man, Dionísio Neto, Lavínia Pannunzio. #

    [ 10:53 ]

    O vídeo de ontem foi Heavy Metal - Universo em Fantasia (Heavy Metal, EUA, 1981), dirigido por Gerald Potterton. A idéia era adaptar os quadrinhos da famosa revista homônima, mas não conseguiram chegar nem perto da riqueza de traço do original. Como passar para desenho animado, em milhares de folhas de acetato, por exemplo, os volumes de aerógrafo do Richard Corben? E exatamente nesse episódio eu vi algo que julgava impossível no cinema de animação, onde tudo tem conserto: um erro de continuidade. Sim, a rainha está com um roupão lilás num plano e no plano seguinte o roupão passa a ser vermelho. E no último episódio, a mancada se repete quando a guerreira soca a cara do vilão e fica com a mão cheia de sangue verde. Corta para um plano mais aberto e a mão está limpinha. Descuido total. O que se salva é a trilha sonora (Devo, Cheap Trick, Nazarath, Black Sabbath) e algumas tiradas divertidas (como o robô que, depois de transar com a moça, diz "Earth women who experience sexual ecstasy with mechanical assistance always tend to feel guilty"). #

    sábado, 09 de junho de 2001

    [ 19:17 ]

    Som do dia: Chris LeDoux, misturando rhythm & blues, country e rock'n'roll. "Been workin' like a dawg, slavin' on the fence line, / Stretchin' those wires tight. / Diggin' and tappin' and sweatin' in the sunshine, / But I get off t'night. / I got a date with a girl, a perdy ranchers daughter, / Green as her golden hair. / Gonna pick her up at 8 after some soap and water. / And we're headin' to the county fair" (de County Fair). #

    [ 12:39 ]

    Completando a trilogia, ontem assisti novamente, em vídeo, Indiana Jones e a Última Cruzada (Indiana Jones and the Last Crusade, EUA, 1989), do Steven Spielberg. Bacana! Volta quase tudo que o primeiro tinha de bom, mas com vários novos elementos que redimensionam a série. A seqüência rollercoaster de abertura mostra um Indiana Jones adolescente (River Phoenix) e conta a origem do chapéu, do chicote e do medo de cobras. Voltam dois coadjuvantes de Lost Ark, Brody (Denholm Elliott) e Sallah (John Rhys-Davies), voltam os mesmos vilões (os nazistas), e volta também o tema central (a busca de um artefato arqueológico que é ao mesmo tempo um mito cristão). E se em Temple of Doom vemos um mini-Indiana (Short Round é quase um filho para o herói), aqui em Last Crusade aparece o Indiana-pai, o professor Henry Jones (ninguém menos que o carismático Sean Connery). Para completar, o interesse romântico, a doutora Elsa Schneider (Alison Doody), se divide entre pai e filho e entre mocinhos e bandidos. Fecho de ouro para a trilogia. #

    [ 11:58 ]

    Na segunda edição da revista TPM, em matéria sobre a Tracey Moffat, a Esfera aparecendo como referência na mídia impressa: "Personagem polêmica e sem papas na língua, Tracey incita o público e a crítica com seus trabalhos. 'Por mim, os críticos podem se atirar de um penhasco', desabafou em uma entrevista para o site brasileiro www.esfera.net." #

    [ 11:52 ]

    Ao contrário do primeiro jogo, a partida de ontem entre Lakers e 76ers não foi bonita. Continuou imperando a defesa, mas desta vez a arbitragem não conseguiu manter um bom controle e o número de faltas não marcadas foi muito grande. Os Lakers foram a principal vítima disso, mas mesmo assim garantiram a vitória por 98 x 89. Shaquille O'Neal chegou perto do mítico quadruple-double (quatro estatísticas em dois dígitos): 28 pontos, 20 rebotes, 9 assistências, 8 bloqueios. #

    sexta-feira, 08 de junho de 2001

    [ 18:48 ]

    O ACM plagiou, a mídia toda noticiou, mas poucos deram crédito a quem descobriu a tramóia, o blogueiro Sergio Faria. É sobre isso a matéria da Elisangela Marchioni, Jornalistas fazem plágio de Weblog, no Makira, que acaba citando também este modesto weblog. "Poucos são os exemplos de diários com informação e conteúdo inteligentes. Boas pedidas são o pioneiro Por um Punhado de Pixels, de Nemo Nox; Vida de Redatora, de Alessandra Picoli; o Marketing Hacker, de Hernani Dimantas; Alfarrábio, de Paulo Bicarato; além do próprio Catarro Verde, de Sergio Faria." #

    [ 17:30 ]

    Hoje recebi a cartinha da Eletropaulo informando que calcularam a minha média de consumo em setembro, outubro e novembro (verão) e que agora (inverno) tenho que consumir menos 20%. Nem se eu quisesse conseguiria reduzir de 243 kwh para 194 kwh. Essa diferença mensal de 49 kwh eles podem ir tirar no consumo do senhor presidente da república ou dos senhores ministros ou dos senhores senadores ou de quem eles quiserem. Aqui não. #

    [ 12:20 ]

    O fotógrafo Clicio Barroso Filho derrapando feio em entrevista no Photo Art, ao ser perguntado sobre a web: "Um engano. Uma ilusão. Para quem não tem muito o que fazer." Lamentável. #

    [ 09:12 ]

    Ontem assisti novamente, em vídeo, Indiana Jones e o Templo da Perdição (Indiana Jones and the Temple of Doom, EUA, 1984), segundo título nesta trilogia do Steven Spielberg. Apesar de ser uma boa aventura, empalidece perto de Caçadores da Arca Perdida. Na verdade, algumas seqüências do filme são simplesmente partes que foram cortadas do primeiro roteiro, como a fuga atrás do gongo em movimento da abertura (cheia de delírios estilo Busby Berkeley) ou a perseguição dos carrinhos na mina (o que se encaixaria melhor num rollercoaster movie que uma montanha russa?). A história foge do padrão anterior (o que é bom), o sobrenatural toma um papel bem mais importante (o que é ruim), e em vez da busca voluntária por um artefato arqueológico temos uma aventura humanitária na qual os heróis entram por acaso. O tema do filme é claramente a criança. É introduzido um mini-Indiana, o simpático Short Round. Há também um mini-vilão, o marajá Zalim Singh. E o objetivo principal da missão é libertar as crianças escravizadas. No fundo, Temple of Doom é quase uma sátira a Lost Ark, com várias passagens parodiando o original (a loira afetada Kate Capshaw como o oposto da morena corajosa Karen Allen, a cena do revólver contra a espada, etc). #

    [ 08:59 ]

    Num texto sobre blogs, A invasão dos blogs assassinos, Eduardo Fernandes diz: "É impressão minha ou está havendo uma epidemia de Blogs na internet?" É impressão sua. O que realmente está acontecendo é uma epidemia de textos sobre blogs. #

    [ 07:52 ]

    Odeio acordar cedo. Pior, acordar cedo sem necessidade. Pior, acordar cedo sem necessidade com marretadas no teto. Pior, acordar cedo sem necessidade com marretadas no teto, morando no último andar. Pior, acordar cedo sem necessidade com marretadas no teto, tendo mudado para o último andar por não agüentar o barulho do vizinho anterior. Começo a pensar seriamente em morar numa casa, já que conviver pacificamente num edifício parece ser um conceito desconhecido neste país. #

    quinta-feira, 07 de junho de 2001

    [ 12:34 ]

    Ontem assisti novamente, em vídeo, Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark, EUA, 1981), um clássico que está fazendo vinte anos. Os créditos iniciais já dão uma idéia do que está por vir: roteiro do Lawrence Kasdan (Body Heat), baseado em história do George Lucas (Star Wars) e do Philip Kaufman (The Right Stuff), produção do Frank Marshall (Congo), direção do Steven Spielberg (Jaws). E o filme não decepciona nunca, da abertura rollercoaster estilo 007 ao final irônico a la John Huston. O único trechinho que acho dispensável é a parte da abertura da arca. Sim, os efeitos especiais foram bacanas na época, mas narrativamente é um pouco anticlimático. Porque durante toda a história a arca funciona como um MacGuffin (expressão do Hitchcock para aquele elemento da trama que pode ser qualquer coisa, um diamante, uma fórmula secreta, whatever, e que só está ali para desencadear a ação - troque o MacGuffin e o filme continua o mesmo). Mas quando a arca deixa de ser MacGuffin e ganha vida própria, Caçadores da Arca Perdida perde um pouco do encanto. Até aquele momento, a arca poderia ou não pertencer ao reino do sobrenatural, e cada espectador ficava livre para escolher sua versão. Com a virada na trama, o filme deixa de ser de aventuras e passa a ser de fantasia. Apesar desta minha implicância, continuo achando Raiders of the Lost Ark um filme espetacular, que reúne muitos momentos clássicos do cinema de aventura. #

    [ 09:59 ]

    A Marina e o Ricardo escreveram avisando que o cinema Jóia ainda existe, que agora se chama Novo Jóia, que foi reformado mas não parece. "É pulguento e o ar condicionado está sempre funcionando parcialmente", diz ela. "O ar condicionado não funciona, a tela esta suja e somada à lampada de projetor meia bomba chega a assustar", diz ele. Algumas memórias de adolescência realmente são melhores só como memórias da adolescência. #

    [ 09:57 ]

    Bacana o comercial da Nike usando os sons da bola e da sola do tênis na quadra para fazer montar uma batucadinha. #

    [ 09:49 ]

    Grande jogo! Os Lakers perderam, em casa, a primeira partida nestes playoffs, para os 76ers, por 107 x 101, na prorrogação. Os dois times defenderam-se ferozmente, Shaquille O'Neal fez 44 pontos, Allen Iverson fez 48 pontos, foi um belo espetáculo. Só quem ficou devendo foi a arbitragem, que deixou passar muitas faltas, grande parte delas contra os Lakers. Agora quero ver os atuais campeões acordarem, especialmente Kobe Bryant, depois desse balde de água fria. #

    quarta-feira, 06 de junho de 2001

    [ 22:37 ]

    Nova revista de quadrinhos: Calvin & Cia, da Editora Opera Graphica. Eu quase não comprei por causa da capa, que traz o Hobbes cantando "Vem aqui com seu tigrão!" e o Calvin respondendo "Sai fora... Quero ver a popozuda!"... Idéia muito infeliz! Mas como sou fã do Bill Waterson, acabei relevando. Pena não terem aproveitado a oportunidade para restaurar o nome original à série. Calvin & Hobbes é evidentemente uma brincadeira com nomes de pensadores famosos, e não consigo ver qualquer justificativa para terem transformado o pobre tigre em Haroldo aqui no Brasil. A outra estrela da revista é o Garfield, algo que também me parece estranho. O Garfield é hoje o anti-Calvin. Enquanto o Waterson parou no auge, o Jim Davis continuou explorando o sucesso até o talo e se transformou numa tira sem graça e sem personalidade, um pálido reflexo do que já foi. Agora eu pegunto: que sentido faz botar os dois na mesma revista? Será o mesmo público? Duvido. Outro deslocado ali é o Ziggy, aquele carequinha dos cartões de aniversário, que nem ao menos é personagem de quadrinhos. A revista ainda traz Lola, Non Sequitur, Grimm, Coisa de Louco, Mutt e Jeff, Super Zeros, Maciota, e se destacando no meio de todos esses o Ran, sapinho simpático do Salvador (também no Pijama Selvagem). Para o segundo número, Calvin & Cia promete o velho Krazy Kat. #

    [ 15:21 ]

    O bom blogueiro Bernardo voltou a blogar, agora em estilo Jacob Nielsen: rtfm. #

    [ 14:58 ]

    Hoje descobri, meio por acaso, uma matéria antiga na TCInet me citando como figura folclórica dos bastidores da Vila do Silício. Depois de falarem da festa da Emergia (empresa da Telefônica que oferece serviços de banda larga por cabos ópticos submarinos) com o título 25.000 léguas submarinas..., mandam: "...só faltou Nemo Nox. Estavam presentes vários executivos da Emergia, entre eles José Muñoz (COO), Mitsuo Shibata (diretor geral) e Fernando Herbin (Chief Financial Officer). Aleksandar Mandic (vice-presidente do iG) também marcou presença." Muito engraçado. #

    [ 11:18 ]

    Voltando ao meu ciclo Kurosawa, ontem assisti novamente, em vídeo, Dersú Usalá (Dersu Uzala, Japão/URSS, 1974). Filme lento, contemplativo, de grandes paisagens, que perde muito na telinha. Confesso que já gostei mais desse ritmo, hoje prefiro narrativas mais dinâmicas. Mesmo assim continuo achando Dersú Usalá muito interessante, um elogio à vida simples mas ao mesmo tempo um alerta de que essa vida simples já não está ao nosso alcance. Foi o primeiro filme do Kurosawa que vi, pelo meio da década de setenta, num cinema do Rio de Janeiro chamado Jóia. Lá assisti, ainda adolescente, vários filmes cult, como A Flauta Mágica do Bergman ou Solaris do Tarkovsky. Ainda existirá esse cinema? #

    [ 09:15 ]

    No jornal O Dia, mais uma matéria sobre weblogs: Agendas ganham a Grande Rede. Citaram o Por um Punhado de Pixels e me chamaram de pioneiro de novo. #

    terça-feira, 05 de junho de 2001

    [ 11:36 ]

    Jogo da vez: Imperium Galactica II - Alliances (distribuído no Brasil pela Greenleaf). Mistura engenhosa de colonização, pesquisa, diplomacia e combate. É o tipo de game que me deixa horas e horas grudado no computador. #

    [ 09:59 ]

    Assisti novamente, em vídeo, Angel Face (EUA 1952), um dos melhores filmes do Otto Preminger (eu me recuso a usar o título ridículo que recebeu no Brasil, Alma em Pânico). Jean Simmons interpreta uma bela herdeira que é assustadoramente perigosa. Robert Mitchum não faz papel de bobo mas mesmo assim se vê enredado na trama da moça. A própria femme fatale, dá até medo. #

    segunda-feira, 04 de junho de 2001

    [ 11:14 ]

    Descobri agora no site do Estadão uma reportagem sobre weblogs: Corações Abertos. A matéria é grandinha, fala de vários blogs, inclusive deste modesto Por um Punhado de Pixels (apesar de terem usado a imagem da Esfera). Até me chama de pioneiro (por causa do meu primeiro weblog, o Diário de Megalópole) e de insurrecto (por causa das minhas reclamações sobre o racionamento de energia)! Divertido. #

    [ 09:21 ]

    Não gostei de Celebridades (Celebrity, EUA, 1998), do Woddy Allen, que assisti ontem em vídeo. Parecia alguém tentando imitar os bons filmes do Woody e não conseguindo. O pior é que era ele mesmo. Os créditos iniciais sempre iguais já deram o que tinham que dar. O preto e branco é completamente desenecessário, nem a piadinha sobre isso alivia a gratuidade. E o Kenneth Branagh descaradamente imitando o Woody na interpretação, com as gagueirinhas e tudo, é ridículo. Por trás, uma história que se pretende ácida em relação ao mundo do showbizz e não passa de moralista. Não gostei mesmo. #

    [ 09:03 ]

    Na NBA, definido o adversário dos Lakers nas finais: Piladelphia 76ers. Vai ser uma disputa histórica, dos atuais campeões contra o time reverenciado pela imprensa com quase todos os prêmios disponíveis na temporada (Dikembe Mutombo foi escolhido o melhor jogador defensivo, Allen Iverson o jogador mais valioso, Aaron McKie o melhor reserva, e Larry Brown o melhor técnico). Continuo apostando nos Lakers. #

    domingo, 03 de junho de 2001

    [ 11:45 ]

    Frase do dia: "If you can't annoy somebody, there's little point in writing." (Kinsgley Amis) #

    [ 11:26 ]

    Hoje li um weblog elogiando a Dido. Depois vieram me falar do Pato Fu por ICQ. Fiquei imaginando como se chamaria um cd dos dois juntos. #

    [ 11:20 ]

    Ontem assisti, em vídeo, Alta Freqüência (Frequency, EUA, 2000), do Gregory Hoblit. Boa mistura de ficção-científica com thriller. A premissa é absurda (comunicação por rádio com o passado, alteração das linhas de causa e efeito) mas se entrarmos na brincadeira do what if a história fica bem interessante. Por trás, um painel de relações familiares e paixão por baseball, bem american way of life, uma fórmula que por vezes lembra Campo de Sonhos. #

    sábado, 02 de junho de 2001

    [ 20:49 ]

    Sessão da tarde com a Paula Valéria: Amores Brutos (Amores Perros, México, 2000), de Alejandro González Iñarritu. História forte, visceral, gente miserável, lugar miserável, acontecimentos miseráveis. A fotografia vai no mesmo ritmo, granulada, saturada, muito contrastada, câmara na mão, nervosa. O roteiro é engenhoso, apesar de um pouco longo, com entrecruzamento de personagens e pequenos saltos cronológicos em estilo Altman / Tarantino / Ritchie (aliás, no filme tem um cachorrinho chamado Ritchie que a dona não cansa de chamar). Gostei. Muito mais merecedor do Oscar de filme estrangeiro que O Tigre e o Dragão. #

    [ 10:42 ]

    A Folha de S. Paulo de hoje está o próprio FEBEAPÁ (para quem não sabe, FEBEAPÁ é um livro do Sérgio Porto, também conhecido como Stanislaw Ponte Preta, e o título é a abreviatura de Festival de Besteiras que Assola o País):

  • A menina adiposa Carla dos Santos, que esta semana teve seus quinze minutos de fama ao se manifestar peladona a favor da CPI da corrupção, diz que tirou a roupa por princípios e que jamais posaria para a Playboy porque isso seria vender o corpo. A ingenuidade não conhece limites.
  • Para economizar energia elétrica, os bancos eletrônicos, também conhecidos como bancos 24 horas, passam a funcionar somente 16 horas por dia. Como se isso não bastasse, o horário de fechamento é das 22h00 às 06h00, quando não existe outra escolha. Por que não fazem a parada coincidir com a abertura dos bancos, deixando sempre uma opção ao correntista? Parece que o objetivo não é economizar, mas atrapalhar.
  • Em resposta ao "a estrela baiana aqui sou eu" do Caetano Veloso, o velhote mentiroso Antonio Carlos Magalhães resolve entrar numa disputa acarajé-power e dispara: "o Caetano Veloso é um egocêntrico". Minha sugestão é botar os dois num duelo de espadas, ao menos nos livramos de um deles. Quem ganhar tem direito a olhar para a câmara e dizer "my name is gladiator". #

    sexta-feira, 01 de junho de 2001

    [ 17:13 ]

    Terminei de ler Webwriting (Editora Berkeley, 2000), do Bruno Rodrigues. Não gostei da estrutura excessivamente didática (aqueles resuminhos no fim dos capítulos são completamente desnecessários) nem da visão um pouco limitada (de que webwriting é uma mistura da linguagem jornalística com a linguagem publicitária), mas o livro tem vários pontos interessantes. Muitas vezes, ultrapassa o webwriting e abrange superficialmente coisas como arquitetura da informação, é difícil ser específico num meio tão interdisciplinar como a web. Concordo com o Bruno quando ele diz coisas como "é absolutamente falsa a idéia de que a internet foi feita para textos curtos", mas logo em seguida discordo quando ele estabelece um limite para o tamanho da página, "não ultrapasse 20 linhas em cada uma". Vinte linhas de que comprimento? Em que fonte e em que tamanho? E se o que eu tiver a dizer não couber em vinte linhas? Sempre me lembro do Amadeus nessas ocasiões: "There are just as many notes, Majesty, as are required. Neither more nor less." Mas numa coisa alinho completamente com o Bruno, a questão do diploma. "Sinto muito por aqueles que acreditam ser necessário um diploma de Jornalismo para tornar-se um redator Web (sei que isso funciona - e bem - em outras mídias). Porém, na internet, o diploma ficou em segundo plano." #

    [ 12:45 ]

    Ontem o Cris Dias me chamou de ilustre. Hoje o Denis Dias me chamou de ilustre. Estranho, muito estranho. #

    [ 10:24 ]

    Som do dia: continuo ouvindo Rui Veloso. "Ver-te assim abandonado / nesse timbre pardacento / nesse teu jeito fechado / de quem mói um sentimento / E é sempre a primeira vez / em cada regresso a casa / rever-te nessa altivez / de milhafre ferido na asa" (de Porto Sentido). #

    [ 09:46 ]

    É raro ver um filme estadunidense mostrando os EUA como vilões num evento histórico. Mas é exatemente o que faz A Coragem de um Homem (One Man's Hero, EUA/México/Espanha, 1999), dirigido por Lance Hool, que assisti ontem na DirecTV. Baseado em fatos verídicos, conta a história de um grupo de desertores do exército norte-americano (em sua maioria soldados irlandeses maltratados por oficiais preconceituosos) que acaba defendendo o México contra a invasão dos EUA. O pançudo Tom Berenger é o irlandês que passa de sargento estadunidense a capitão mexicano. O português Joaquim de Almeida é o revolucionário mexicano dividido entre defender o país ou defender um ideal. Não chega a ser um grande filme, mas mantém o interesse. #