segunda-feira, 31 de outubro de 2005

[ 17:01 ]

Depois do café colonial da sexta-feira, o weekend continuou gastronomicamente rico, incluindo um jantar de sushi (destaque para a "caipirinha" de saquê com morango), um almoço com comida da fazenda (destaque para o tutu de feijão com lingüiça na chapa), e um café caseiro (destaque para o capuccino com laranja e para o brownie com melaço de cana). Come-se bem por aqui. #

[ 16:16 ]

Depois das dezoito revistas de Supreme Power, que apresentam o arco dramático inicial, li também spin-offs. Hyperium, também escrita pelo Straczynski, mostra o super-herói sendo perseguido por outros agentes do governo dos EUA. Só li a primeira revista, ainda não foi o suficiente para formar uma opinião. Doctor Spectrum é uma mini-série em seis revistas que simplesmente conta com mais detalhes a origem do herói, já vista em Supreme Power. Fraquinha. Nighthawk, com o excelente traço do Steve Dillon (de Preacher), coloca o Batman negro atrás de um serial killer. Li as duas primeiras revistas e estou gostando muito. #

[ 16:02 ]

Li a série em quadrinhos de dezoito revistas Supreme Power, com roteiro do J. Michael Straczynski (criador da série de tv Babylon 5) e arte do Gary Frank. Nos anos setenta, a Marvel Comics publicou algumas histórias com personagens inspirados em super-heróis da concorrente DC Comics. Inicialmente, eles apareceram como vilões, e mais tarde como heróis de um universo paralelo, com o nome Squadron Supreme. A grande pergunta é: por que a DC permitiu que seus personagens mais famosos fossem copiados descaradamente pela sua maior concorrente? Mas, aberto o precedente, esta série Supreme Power, de 2003, pega os mesmos personagens e reconta suas origens, o que é de certa forma fascinante. Muitos roteiristas de quadrinhos gostariam de ter a oportunidade de criar sua própria versão de personagens famosos, e infelizmente muitos o fazem, a pedido das editoras, freqüentemente contradizendo e adulterando o trabalho dos criadores originais. Mas aqui Straczynski teve a chance de recriar a origem do Super-Homem mantendo o mito intocado, já que estava falando não do personagem de Siegel e Shuster mas de Hyperion, versão Marvel do mesmo super-herói. O mesmo com Nighthawk (cópia do Batman), Whizzer (cópia de The Flash), Doctor Spectrum (cópia do Green Lantern), Power Princess (cópia da Wonder Woman) e Amphibian (que parece ser uma versão feminina do Aquaman, unico elemento do grupo bem diferente do correspondente da DC Comics). A história é muito boa, e acrescenta elementos novos e interessantes aos super-heróis que já conhecíamos tão bem. Hyperion, por exemplo, após chegar dos céus como um bebê numa pequena nave espacial e ser encontrado por um casal de fazendeiros, é logo rastreado e capturado pelo governo dos EUA, que passa a doutriná-lo e prepará-lo para ser uma super-arma. Outra reviravolta interessante é que Nighthawk, assim como Batman, é um milionário que viu seus pais serem mortos - o detalhe aqui é que ele é negro e o crime teve motivação racial. Mas Straczynski não se limita a estas piruetas de recriação, e narra uma história consistente e coerente, alicerçada principalmente nas perguntas "como reagiríamos hoje se realmente existissem super-heróis?" e "como se comportariam essas criaturas com super-poderes?". Gostei, é uma das melhores histórias de super-heróis que li desde Watchmen. #

domingo, 30 de outubro de 2005

[ 20:50 ]

Esta semana o Burburinho traz um texto em duas partes do Gian Danton sobre o uso de Gibis na Sala de Aula (parte 1 e parte 2). Seja um burbunauta bem informado e receba por email, gratuitamente, todas as edições do nosso boletim. #

sábado, 29 de outubro de 2005

[ 12:30 ]

Assisti em dvd O Caso de Alzheimer (De Zaak Alzheimer, Bélgica-Holanda, 2003), de Erik Van Looy. Boa trama policial, centrada num assassino de aluguel em fim de carreira e com início de mal de Alzheimer. O roteiro inclui ação, drama, corrupção política, dilemas éticos, e um bocado de violência. Gostei. #

[ 11:37 ]

Ontem voltei, depois de muitos meses, ao templo da comilança, ao reduto de empanturramento, ao monumento à gula, o Café Colonial do Tirolez. Comi ovos mexidos com mostarda preta, bratwurst, pãezinhos recheados de frango desfiado, quatro tipos de queijo, quatro tipos de embutidos, cheesecake, torta de banana, pavê de chocolate e bolo de chocolate. Locupletei-me como há muito tempo não fazia. #

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

[ 14:10 ]

Sessão dupla em dvd. Primeiro, Shall We Dansu? (Japão, 1996), do Masayuki Suo. História bacaninha sobre superação de preconceitos, aprendizado de convivência com pessoas muito diferentes, e principalmente sobre a busca pelo prazer em pequenas coisas. Gostei. Depois, Shall We Dance (EUA, 2004), do Peter Chelsom, adaptação do filme anterior. Eu não esperava por isso, mas a versão estadunidense é, se não melhor, ao menos tão boa quanto a versão original japonesa. O roteiro ultrapassa as diferenças culturais com elegância e acrescenta alguns detalhes que enriquecem a história, como uma cena extra para explicar a decisão do protagonista de voltar a dançar ou as explicações que a professora dá para certos ritmos de dança. Na valsa, o casal é como um quadro ("You are the frame, she is the picture."), enquanto a rumba é como uma relação passional ("You have to hold her, like the skin on her thigh is your reason for living. Let her go, like your heart's being ripped from your chest. Throw her back, like you're going to have your way with her right here on the dance floor. And then finish, like she's ruined you for life."). Richard Gere, Jennifer Lopez e Susan Sarandon funcionam bem, mas Stanley Tucci rouba todas as cenas em que aparece. Bacaninha. #

[ 12:40 ]

A revista Forbes, mais perdida que surdo em ópera, dispara contra os weblogs em matéria de capa: Attack of the Blogs. O texto reflete o medo de alguns setores corporativos frente a um público que opina em vez de consumir servilmente. Daniel Lyons, autor do texto, chega ao extremo de sugerir que as empresas incomodadas com a atuação dos weblogs ameacem processar os autores e os hosts com acusações ilegítimas ("Find some copyrighted text that a blogger has lifted from your Web site and threaten to sue his Internet service provider under the Digital Millennium Copyright Act."), ignorando o fair use somente para intimidar e calar os críticos ("You will have to chase him for years to collect damages. Settle for a court order forcing him to take down his material.") e incomodar até quem não é responsável ("The host isn't liable but may skip the hassle and cut off the blogger's access anyway."). Se a Forbes e as corporações que ela defende não se abrirem para o mantra "mercados são conversações" serão simplesmente atropeladas por outro mantra, "adaptem-se ou desapareçam". #

[ 09:38 ]

Capas de revistas de horror: Monster Mags. Destaque para Creepy e Eerie, de onde saíam as histórias para a revista brasileira Kripta. #

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

[ 18:36 ]

Um detalhe interessante no filme Água Negra é o comportamento do personagem interpretado pelo Tim Roth, chamado Jeff Platzer. Trata-se de um advogado sem família que, para justificar não trabalhar à noite ou aos domingos, mente para os clientes dizendo vai passar tempo com a família. Pouca gente percebe a pressão social a favor de quem tem cônjuge e filhos e contra quem não os tem. Já me pediram para fazer hora extra em mais de uma empresa enquanto os colegas casados eram dispensados, porque afinal eles tinham família e eu era solteiro. Se me convidam para uma festa e digo que não vou porque prefiro ficar em casa lendo um livro ou assistindo um filme, me consideram um sujeito estranho. Se me convidam para o mesmo evento e digo que não vou porque prefiro passar algum tempo com a família, me consideram um sujeito normal, até mesmo um bom sujeito. Nunca recorri à mentirinha do advogado Jeff Platzer, mas talvez ele tenha encontrado uma fórmula ao mesmo tempo perversa e eficiente. #

[ 17:59 ]

Ontem fui ao cinema assistir Água Negra (Dark Water, EUA, 2005), do Walter Salles. Boa produção, bom roteiro (apesar de abusar das cenas de sonho), boa direção, e acima de tudo boas interpretações (a sempre belíssima Jennifer Connelly, John C. Reilly, Tim Roth, Pete Postlethwaite), mas uma história bem fraquinha. É o remake de mais um filme de horror do japonês Hideo Nakata, o mesmo de The Ring, com vários elementos já conhecidos da sua obra, como cabelos na água, menininhas na água, e muita chuva. #

[ 10:36 ]

Fotos bacanas: Eolo Perfido. #

[ 10:36 ]

Pinturas bacanas: Huss Judson. #

[ 08:20 ]

Máscaras de pessoas famosas para o Halloween, incluindo Martha Stewart-presidiária, Mel Gibson-Cristo, Bill Gates-Frankenstein e Steve Jobs-pirata: Be A Celebrity For Halloween. #

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

[ 17:23 ]

Assisti em dvd Around the World in 80 Days (GB-Irlanda-Alemanha, 2004), do Frank Coraci. De fazer Jules Verne se revirar no caixão. O roteiro é fraquíssimo, desvia-se muito da história original e está repleto de piadas sem graça. As únicas coisas com algum interesse são as seqüências de ação com o Jackie Chan (que também é um dos produtores). Não espanta que o filme tenha dado um prejuízo de aproximadamente oitenta milhões de dólares. Frank Coraci, um nome a ser lembrado, não só por este Around the World in 80 Days mas também pelo péssimo The Waterboy. #

[ 15:36 ]

Está disponível para download gratuito o filme clássico de 1925 The Phantom of the Opera, estrelado pelo Lon Chaney. #

[ 15:33 ]

Coleção bacana de bichinhos: Hiroshi Yoshii. #

terça-feira, 25 de outubro de 2005

[ 16:43 ]

Mais Batman. Tentando renovar seu público, as duas maiores editoras de quadrinhos dos EUA criaram séries paralelas recontando a origem dos seus super-heróis. A Marvel faz isso na linha Ultimate, que já comentei aqui. A DC lançou a linha All-Star, que peguei ontem pela primeira vez. Eu gosto dos roteiros do Frank Miller e do traço do Jim Lee, mas os dois primeiros capítulos de Batman and Robin the Boy Wonder são muito ruins, apresentando algumas das piores manias dos quadrinhos contemporâneos. Um exemplo é a narrativa que muda de ponto de vista a cada par de páginas, mostrando o monólogo interior de vários personagens em caixinhas personalizadas de texto. Irritante. Outro exemplo é o exagero de splash pages que não fazem avançar a história e servem somente para mostrar a habilidade do desenhista. Logo na primeira revista, Vicky Vale, personagem secundário, ganha um painel de duas páginas só para trocar de roupa antes de um encontro com Bruce Wayne, e isto depois de já a termos visto desfilando por três páginas de calcinha e sutiã cor-de-rosa, talvez para tentar atrair leitores adolescentes com hormônios em ebulição mas certamente sem grande preocupação com o ritmo da história. Pior que isso, uma coisa que eu nunca tinha visto em quadrinhos, esta série tem até erro de continuidade: Bruce Wayne aparece de paletó e gravata, bem barbeado, mas ao vestir o uniforme do Batman logo em seguida seu rosto magicamente ganha uma barba de dois dias. De maneira geral, Batman and Robin the Boy Wonder é decepcionante, especialmente se lembrarmos que conta na equipe com o sujeito que fez algumas das melhores histórias do Homem-Morcego, The Dark Knight Returns e Year One. #

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

[ 12:57 ]

Assisti em dvd Batman Begins (EUA, 2005), do Christopher Nolan. Consegui gostar do filme e me decepcionar com ele ao mesmo tempo. Gostei, por exemplo, da tentativa de dar um tratamento realista à história, e de oferecer tanta atenção ao homem por trás da máscara quanto ao super-herói. Gostei também do elenco, o Christian Bale é um ótimo Bruce Wayne (e pensar no desastre que poderia ter sido a escalação do Ashton Kutcher ou do David Boreanaz, dois candidatos ao papel), o Michael Caine faz o melhor Alfred do cinema, e o Gary Oldman está igualzinho ao Gordon de Batman Year One. Por outro lado, eu esperava um espetáculo grandioso, bigger than life, empolgante, e o filme nem chegou perto disto. Faltou a Gotham City fenomenalmente arquitetada pelo Anton Furst no Batman de 1989. Em comparação, a metrópole deste Batman Begins tem uma personalidade tímida. Faltou também a música do Danny Elfman, complemento muito bem encaixado no filme do Tim Burton. O novo Homem-Morcego não ganhou uma trilha sonora à altura do personagem. Sim, sou fã do Batman na primeira versão Keaton-Burton-Furst-Elfman, e acho que a comparação é inevitável. O novo Batman pode ser mais realista (esta parece ter sido a maior preocupação do Nolan) mas é também menos marcante. Mesmo assim, contém mais acertos (por exemplo, o melhor Batmobile que já vi) que deslizes (por exemplo, o personagem desnecessário da Katie Holmes, espécie de muleta narrativa dos roteiristas). #

[ 12:25 ]

Em certos dias eu quase perco a vontade de voltar para os EUA: Majority Reject Evolution. De acordo com esta pesquisa, 51% dos estadunidenses acham que o homem foi criado por deus exatamente como é hoje, e outros 30% acham que houve evolução mas foi guiada por deus. Somente 15% acham que somos o resultado da evolução das espécies sem intervenção divina. Lamentável. #

domingo, 23 de outubro de 2005

[ 21:51 ]

Este ano não fui à Oktoberfest nem à Fenarreco, mas ainda peguei o último dia da Marejada. É só uma grande quermesse, o que vale é a comida. E aproveitei para degustar uns bolinhos de bacalhau e a inevitável caldeirada de frutos do mar. Yummy! #

[ 15:30 ]

Comercial bacaninha da cerveja Guinness: noitulovE. #

[ 10:58 ]

Enquanto assistia 36 Quai des Orfèvres fiquei reparando como o cinema europeu tem atores bons e feios ao mesmo tempo que o cinema estadunidense está repleto de atores medíocres e bonitinhos. A comparação poderia ser tema de várias teses acadêmicas, de Realismo Ameaçado: o universo cinematográfico na era dos comerciais de pasta de dentes a Substância ou Aparência: quando a embalagem se torna mais importante que o produto. #

[ 10:51 ]

Sessão dupla em dvd. Primeiro, A Busca (The Iris Effect, EUA-Rússia, 2004), do Nikolai Lebedev. Anne Archer perdida num roteiro cheio de coincidências e improbabilidades, coroado por um final absurdo. Muito ruim. Depois, 36 Quai des Orfèvres (França, 2004), do Olivier Marchal. Daniel Auteuil e Gérard Depardieu num ótimo drama policial, bem escrito, bem dirigido e bem interpretado. Gostei. #

sábado, 22 de outubro de 2005

[ 14:21 ]

Esta semana o Burburinho vem adiantado e traz o Luis Gustavo Claumann recomendando cinco discos para ouvir em momentos de depressão e o Ricardo Bittencourt relembrando o homem-aranha japonês. Seja um burbunauta bem informado e receba por email, gratuitamente, todas as edições do nosso boletim. #

sexta-feira, 21 de outubro de 2005

[ 19:36 ]

Voltando para Balneário Camboriú, reencontrei o popular jornal local Diarinho, com suas manchetes peculiares e sua prosa característica. Estou aqui com a edição de hoje, cuja matéria de capa é Caem oito cornos envolvidos em clonagem de cartões. Outros títulos do dia são Casal mequetrefe tá passando cheque clonado em Balneário, Assaltaram o coitado do dentista e Porradaço! Baita acidente na esquina da rua Tijucas. Mas a melhor de hoje é Ninja armado com espadas fere dois PMs e morre do overdose. #

[ 19:14 ]

Som do dia: AC/DC, ótimo para contrariar o clima chuvoso de hoje, particularmente com You Shook Me All Night Long, Thunderstruck e Highway to Hell. #

[ 13:09 ]

Várias pessoas já me perguntaram como vou votar no domingo no referendo sobre venda de armas. A resposta é simples: não vou votar. Não quero participar dessa palhaçada populista. #

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

[ 17:12 ]

Já estou em Balneário Camboriú. Saí de Santos ontem às nove da noite e cheguei aqui hoje um pouco antes das seis da manhã. Como a Viação Catarinense não oferece ônibus-leito saindo de Santos, tive que vir no que eles chamam de ônibus-executivo. A poltrona é confortável, mas não o suficiente para dormir várias horas seguidas. Só consegui cochilar um pouco e cheguei aqui cansado e cheio de sono. Ao menos o filme de bordo foi bom: Sunshine (Alemanha-Áustria-Canadá-Hungria, 1999), do István Szabó, com o Ralph Fiennes interpretando três personagens de uma família húngara, numa saga cobrindo várias gerações e duas grandes guerras. Drama bem contado, com altos e baixos mas também com vários momentos interessantes. Muitos nomes conhecidos no elenco, como Rachel Weisz, William Hurt, Deborah Kara Unger, Rosemary Harris (sua filha Jennifer Ehle interpreta o mesmo personagem quando era jovem), entre outros. Com mais de três horas de duração, escolha conveniente para uma longa viagem. #

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

[ 08:58 ]

Estou de passagem por Santos, e ontem aproveitei para ir ao cinema, coisa que não fazia há vários meses. Assisti Lord of War (EUA, 2005), do Andrew Niccol, com o Nicolas Cage (como já é habitual, mais intenso que o necessário), a bonitinha Bridget Moynahan (de I, Robot) e o Jared Leto (num papel parecido com o que fez em Requiem for a Dream). Fiquei esperando que surgisse algo surpreendente para quebrar o tom um pouco monótono da narrativa mas, com exceção do clímax, quase nada acontece. Fraquinho. #

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

[ 23:23 ]

Amanhã viajo para Santos, onde vou rever uma amiga de Portugal e participar de um business meeting. Na quarta-feira viajo para Balneário Camboriú, onde pretendo caminhar pela praia, beber água de côco e cochilar na rede. #

[ 21:41 ]

Eu disse num post anterior que não era possível rebatizar feeds no Bloglines, mas o atento Bruno Torres já me enviou um email avisando que "claro que pode, é só ir em edit subscription e colocar o nome que quiser". Sorry pela desatenção e thanks pela dica! #

[ 12:45 ]

A revista Time publicou uma lista das cem melhores novelas em inglês de 1923 até hoje, com algumas surpresas agradabilíssimas, a maior delas sendo a inclusão de uma graphic novel, Watchmen, do Alan Moore e do Dave Gibbons. E entre vários outros ótimos títulos (como The Catcher in the Rye do Salinger ou Lolita do Nabokov, para citar só dois), especial destaque para a ficção-científica, que aparece representada por uma bela seleção (Neuromancer do Gibson, 1984 do Orwell, Ubik do Dick, Snow Crash, do Stephenson, entre vários outros). Faltou o Paul Auster, claro, mas mesmo assim é uma lista muito interessante. Agora fiquei com vontade de ler todos os que estão lá e eu ainda não li. #

[ 12:09 ]

Aqui vai uma observação completamente intuitiva e sem base científica, que pode ser pura coincidência ou reflexo de alguma regra oculta de como cada um escolhe o nome do seu weblog. O Bloglines lista meus feeds em ordem alfabética (posso mudar a ordem, mas essa é a organização padrão) usando os nomes originais (não posso rebatizar feeds). Então, dentro da categoria "Weblogs-English", fui lentamente percebendo que o conteúdo mais interessante habitualmente reside no meio da lista, nos weblogs com nomes iniciados pelas letras centrais do alfabeto. Sim, existem umas poucas exceções nos dois extremos da lista (de A a E e de V a Z), mas quase diariamente os posts mais interessantes para mim vêm dos weblogs do centro alfabético da lista. Não consigo, porém, identificar o mesmo padrão na categoria "Weblogs-Portuguese", não sei se por ter uma amostragem muito menor ou por se tratar de um fenômeno exclusivo à língua inglesa. Ou talvez nada disto passe de coincidência. Anyway, marginalmente no mesmo assunto de nomes de websites, o Seth Godin tem umas observações interessantes em The new rules of naming. #

[ 11:53 ]

Assisti em dvd Shackles (EUA, 2005), do Charles Winkler. Não é entusiasmante mas é competente, especialmente em transmitir as idéias que educação acadêmica em penitenciárias pode mudar a vida de alguns detentos e que, no fundo, grande parte da sociedade (representada no filme por políticos, guardas e manifestantes) de forma geral prefere o sistema carcerário como punição e não como reabilitação. Boas interpretações do D.L. Hughley (que eu nunca tinha visto) e do Jose Pablo Cantillo (que eu vi em The Manchurian Candidate mas não lembrava dele). #

domingo, 16 de outubro de 2005

[ 14:50 ]

Esta semana no Burburinho, o Gian Danton fala sobre o escritor russo Gogol e o Luis Gustavo Claumann fala sobre o grupo musical Tiharea. Seja um burbunauta bem informado e receba por email, gratuitamente, todas as edições do nosso boletim. #

sábado, 15 de outubro de 2005

[ 19:08 ]

Li a mini-série em três edições Red (Wildstorm, 2003), com roteiro do Warren Ellis e arte do Cully Hamner. História simples, traço bacana, conta o que acontece quando um novo diretor da CIA resolve mandar assassinar um agente aposentado. Cenário de filme noir com viés político. Gostei. #

[ 18:59 ]

Há exatamente cem anos, no dia 15 de outubro de 1905, era publicada pela primeira vez a série em quadrinhos Little Nemo in Slumberland. #

sexta-feira, 14 de outubro de 2005

[ 15:36 ]

Em quem você votaria para ser o próximo presidente dos EUA? Christopher Walken ou Angus Macgyver? #

[ 15:14 ]

Jogue sua câmara para o alto: Camera Toss. #

[ 11:59 ]

Som do dia: Tin Hat Trio. Mistura de tango, bluegrass e folk do leste europeu, com toques de música erudita contemporânea. #

[ 11:51 ]

Li mais treze revistas da série The Authority, começando com as edições especiais Annual 200 (uma história fraca escrita por Joe Casey), Jenny Sparks (mini-série do Mark Millar em cinco edições contando como foi formado o grupo), Ruling the World (um crossover com Planetary, outra série criada pelo Warren Ellis) e Scorched Earth (história do Robbie Morrison), nenhuma delas entusiasmante. Muito melhores foram Kev (aventura completa numa só uma revista) e More Kev (mini-série em quatro edições), ambas com roteiro do Garth Ennis (criador da série Preacher) e protagonizadas por um milico inglês atrapalhado, sortudo e sem escrúpulos, o Kev do título, capaz de criar sérios problemas para os heróis de The Authority. Agora vou dar um descanso à série e ler outras coisas antes de embarcar no terceiro volume, que começou a ser publicado no final do ano passado e ainda está em andamento. #

quinta-feira, 13 de outubro de 2005

[ 15:25 ]

Assisti em dvd Sahara (EUA, 2005), do Breck Eisner (filho do Michael Eisner, ex-todo-poderoso da Disney). Aventura razoável com duas tramas entrelaçadas, a busca por um barco da guerra civil dos EUA possivelmente perdido na África e a história de uma epidemia letal se espalhando a partir do Mali. O elenco funciona bem (Penélope Cruz, Matthew McConaughey, Steve Zahn, William H. Macy) e o roteiro é divertido (se deixarmos de lado as implicações militaristas e imperialistas da história). Sahara é baseado num livro do Clive Cussler, autor especializado em aventuras náuticas. #

[ 13:23 ]

E o Nobel deste ano foi para o Harold Pinter, autor de muitas peças teatrais mas talvez mais conhecido do grande público por ser o roteirista de The French Lieutenant's Woman. Quantos escritores podem dizer "fui indicado para um Oscar, não ganhei, mas agora tenho um Nobel"? #

quarta-feira, 12 de outubro de 2005

[ 23:46 ]

Burocracia é uma coisa nojenta, fedorenta e pegajosa. Finalmente, depois de mais de quatro meses de espera, recebi notícias sobre o meu processo de imigração para os EUA. No último episódio, eu tinha sido forçado a solicitar que os meus papéis fossem enviados para o Brasil, para que o resto do procedimento fosse tratado através do consulado. Uma tarefa teoricamente simples, especialmente numa época de informação armazenada em computador e de transmissão instantânea de dados. Mesmo que eles preferissem métodos mais antigos, com cópias em papel cheias de carimbos circulando em malotes diplomáticos, quanto tempo poderia demorar para o processo ser enviado de Vermont, onde fiz o pedido, para o Rio de Janeiro, onde está o consulado? Três meses, disse a advogada. Eu achei um exagero, mas para quem já estava esperando há trinta meses por uma resposta que, de acordo com o documento que me deram na época do pedido original, deveria ter levado somente seis meses, mais três meses não fariam grande diferença. Pois agora, mais de quatro meses passados, recebo a informação que o meu pedido para transferirem o processo para o consulado foi aprovado, o que não significa, ao contrário das expectativas, que eles mandaram os papéis para o Rio de Janeiro. Não, eles enviaram tudo para outro departamento nos EUA, o NVC (National Visa Center), encarregado de mandar o processo para o consulado no Brasil. O prazo previsto para isso? Mais três meses. Burocracia é uma coisa nojenta, fedorenta e pegajosa. #

[ 15:13 ]

A DC Comics já tinha rebootado seu universo de super-heróis em 1985 com Crisis on Infinite Earths. Agora vai repetir a dose com Infinite Crisis, que ganhou artigo no New York Times: Recalibrating DC Heroes for a Grittier Century. #

terça-feira, 11 de outubro de 2005

[ 21:10 ]

Ferramentinha fundamental para o meu iBook: iScroll2. Eu já tinha me acostumado a usar o trackpad em vez do mouse, mas ainda sentia falta daquela rodelinha que fica entre os botões do rato e permite rolar as páginas com incrível facilidade. Pois este iScroll2 coloca uma função semelhante no trackpad. Use um dedo para mover o cursor, use dois dedos para rolar as páginas. Supimpa. #

[ 17:31 ]

Fotos muito boas: Pascal Renoux. #

[ 16:53 ]

O segundo volume de The Authority começa muito mal. O novo roteirista, Robbie Morrison, em vez de pegar os temas políticos levantados pelo Ellis e pelo Millar no volume anterior, aparece com um super-vilão sem graça e uma historinha fraca. As coisas só melhoraram quando, entre o número nove e o número dez, encaixaram uma mini-série chamada Coup d'Etat, incluindo personagens de outras séries da Wildstorm (Stormwatch, Sleeper e Wildcats), onde os super-heróis de The Authority resolvem dar um golpe de estado e tomar o governo dos EUA. Ficam várias perguntas interessantes no ar. Um governo conquistado pela força que beneficia a maioria da população tem menos autoridade moral que um governo conquistado pelo voto que beneficia somente uma elite econômica? Quem deve definir o que é melhor para um país: a população (que muitas vezes coloca no poder representantes ineptos ou corruptos), a elite econômica (financiando políticos que defenderão somente os seus interesses) ou qualquer um capaz de manter o poder através da força (e num mundo sem super-heróis os déspotas esclarecidos não são facilmente encontráveis)? Seria possível governar um país sem operações de marketing, sem joguinhos de relações públicas e sem campanhas de propaganda (ou, como Hawksmoor bem resume, sem bullshit)? E, a velha pergunta que sempre volta, quem vigia os vigilantes? #

[ 15:24 ]

Vez por outra aparece alguém apontando mais um precursor ou profeta dos weblogs. Há uns meses foi o Ben Hammersley dizendo que Richard Steele, nascido em 1672, foi o primeiro blogueiro da história. Há uns anos, a moda era dizer que Samuel Pepys, nascido em 1633, só não foi blogueiro por falta de tecnologia. Agora os russos sugerem que Vladimir Odoevsky, nascido em 1803, teria previsto a existência dos weblogs: "Odoevsky suggested in future there would be a kind of connection between houses that would allow people to communicate quickly and easily, the way they do now via the Internet. (...) Even more interestingly, Odoevsky suggested every household would publish a kind of daily journal or newsletter and distribute it among selected acquaintances, a habit which Russian bloggers immediately recognized as blogging." #

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

[ 19:27 ]

O Núcleo de Hipermídia da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas tem um site chamado Mostra de Blogs, que generosamente inclui este modesto Por um Punhado de Pixels na sua seleção. Thanks! #

[ 19:07 ]

Filmes do weekend, dois remakes. Primeiro, tentei assistir Guess Who (EUA, 2005), do Kevin Rodney Sullivan, mas só consegui agüentar até a metade. É uma adaptação desastrosa de Guess Who's Coming to Dinner, com as etnias invertidas. Onde antes tínhamos Spencer Tracy e Sidney Poitier, agora temos Bernie Mac e Ashton Kutcher. Onde antes tínhamos humor sutil e crítica social, agora temos só uma palhaçada inverossímil. Muito bobinho. Depois, Assault on Precinct 13 (EUA-França, 2005), do Jean-François Richet, foi uma experiência um pouco melhor, com trama razoável e produção bem cuidada. Eu sempre achei interessante a idéia do John Carpenter de trazer para um ambiente contemporâneo a ação do western clássico Rio Bravo (de 1959), mas a realização do Assault on Precinct 13 original (de 1976) era um pouco tosca. Esta nova versão é mais lapidada, e com bom elenco: Ethan Hawke, Laurence Fishburne, Maria Bello, Gabriel Byrne, John Leguizamo, Drea de Matteo, Brian Dennehy. Bacaninha. #

[ 18:38 ]

Parece que não fui o único a me decepcionar com o Google Reader. Três exemplos:

  • O Fabio Sampaio, por email: "O GReader, por não usar frames como o Bloglines, ainda perde muito no quesito navegabilidade. Embora tenha conseguido importar o OPML do BL com as labels criadas corretamente a ausencia da opção de saber qual label possui quantos items ainda não lidos é ponto chave na estória. E me irrita o fato de rolar a tela para baixo em um post longo e o painel da esquerda sumir obrigando uma rolagem contraria para trocar de post. Last but not least, como usam AJAX o 'foco' sai à revelia da página obrigando um clique em lugar neutro para poder voltar a usar o scroll button do mouse. Resumindo: reprovado."
  • Blogebrity: "Google releases the Google Reader RSS aggregator. It's gorgeous but impractical for any more than 4 or 5 feeds. You have to read posts by post time instead of grouping each feed's blogs. NewsGator Online still kicks its ass."
  • Dave Winer: "Google's reader is a huge step backward from what was available in 1999. The arrogance is catching up with them." #

    domingo, 09 de outubro de 2005

    [ 21:34 ]

    Dois colaboradores novos no Burburinho desta semana: Alex Cristiano Hammes seleciona Belas Instrumentistas e Hiromi Teruya visita Madame Tussaud e o Museu de Cera de Londres. Seja um burbunauta bem informado e receba por email, gratuitamente, todas as edições do nosso boletim. #

    sábado, 08 de outubro de 2005

    [ 22:18 ]

    Terminei de ler Foundation and Empire, o segundo volume da trilogia Foundation, do Isaac Asimov. Gostei, mas ainda prefiro o primeiro. Apesar do autor dizer que o conto The Mule, que ocupa a segunda metade do livro, ser o que mais lhe agrada em toda a série, não fiquei assim tão impressionado. Na verdade, o final supostamente surpreendente transparece desde o início, o que tira um bocado da graça da história. Mesmo assim, todo o universo ficcional do império galático em decadência e do papel da Fundação como responsável pelo futuro reerguimento da civilização é interessante, e Asimov dá uma guinada neste segundo volume levando a trama para terrenos novos. Agora estou curioso para ler Second Foundation, o livro que fecha a trilogia. #

    [ 19:59 ]

    Narrativa multilinear em quadrinhos online: Meanwhile. #

    [ 19:56 ]

    Aldeia dos Smurfs destruída pela guerra: Unicef bombs the Smurfs in fund-raising campaign for ex-child soldiers. #

    sexta-feira, 07 de outubro de 2005

    [ 22:31 ]

    Hoje fui testar o Google Reader (GR), novo concorrente do Bloglines. Primeiro, tive dificuldade em transferir minha lista de feeds, já que o GR não reconheceu como válido o arquivo criado pelo Bloglines. A solução então foi exportar a lista do Bloglines, importar para o NetNewsWire, exportar a lista do NetNewsWire e importá-la para o GR. Mesmo assim, a maior parte da minha organização em categorias se perdeu pelo caminho. Depois de todo este trabalho, comecei a navegar pelos feeds e tentar me ambientar na nova interface. A idéia da lente passando sobre o título e mostrando o post é interessante, mas achei muito confusa a forma que os feeds são organizados. Em vez das familiares pastinhas (folders) a única forma de colocar alguma estrutura na bagunça é através de etiquetas (labels). Pode até ser um método mais flexível (um feed não pode estar em mais de uma pasta ao mesmo tempo mas pode ter mais de uma etiqueta ao mesmo tempo), porém não resolve o meu problema. Tenho quase trezentos feeds, nem sempre os leio em ordem de chegada ou de relevância (as duas formas de filtragem oferecidas pelo GR), gosto de poder saltar facilmente de uma categoria para outra (o que não é tão simples no GR), gosto de ver mais de um post na tela de cada vez (o GR só mostra de um em um), gosto de saber quantos posts novos tenho para ler (o GR só me diz que são "more than 20"), entre outras coisinhas. Sem dúvida, eles conseguiram inovar. Mas, ao menos para mim, uma inovação que complica em vez de simplificar. #

    [ 12:39 ]

    Tudo que você precisa saber para vencer no jogo Banco Imobiliário: Probabilities in the Game of Monopoly. #

    [ 12:36 ]

    The smallest measurable length announced: cientistas finalmente descobrem que 1 pentelhésimo = 10-33 centímetro. #

    [ 12:34 ]

    Assisti em dvd XXX: State of the Union (EUA, 2005), do Lee Tamahori. Talvez eu tivesse gostado do filme aos doze anos de idade. Agora, achei uma bobagem descomunal. #

    quinta-feira, 06 de outubro de 2005

    [ 19:23 ]

    Li as revistas que faltavam da primeira série de The Authority, do número 13 ao 29. O roteirista agora é o Mark Millar e sua premissa é interessante: os super-heróis resolvem que não basta atacar somente super-vilões de outros planetas e outras dimensões, e passam a atuar também contra governos que não respeitam os direitos de seus povos. Como diz Hawksmoore ao presidente dos EUA (Clinton?), "our main purpose might be defending the Earth, but that doesn't mean we're going to sit back and tolerate human rights abuses taking place under our noses." Irritados, os líderes das principais potências arranjam um ataque contra The Authority e os substituem por super-heróis mais subservientes. Como vários protagonistas da série já são pastiches de outros personagens famosos, ao introduzir estes substitutos Millar coloca em cena o pastiche do pastiche, ou o pastiche de terceira geração. E outros pastiches não faltam nesta história. No episódio 14, temos paródias nada sutis do Capitão América, do Homem-de-Ferro e do Thor, entre outros, numa equipe que defende os interesses do governo dos EUA. No episódio 16, aparece um duplo do Nick Fury, que ao ouvir um soldado dizendo que acha estranho matar civis retruca: "Civilians are civilized, soldier. These people are French. As much as I hate Mexicans, Asians and Blacks, no racial group in the world boils my blood more than these sweaty, horse-eating yahoos." A história acaba se desviando um bocado do tema sugerido inicialmente (até porque o desenhista Frank Quitely saiu da editora no meio da série, forçando uma reformulação do roteiro que incluiu uma subtrama emergencial escrita pelo Tom Peyer enquanto o Millar preparava o resto da história com outros deenhistas). Apesar de ser um pouco decepcionante não ver uma idéia tão boa ser explorada como poderia ("Why do super-people never go after the real bastards?"), a leitura vale por alguns momentos de humor (o padre-super-herói "Chaplain Action, He-Man of the Cloth" foi um dos meus preferidos) e pelo conceito que fica no ar ("This has to be a world worth saving if my colleagues and I are going to be out there risking our lives on the front lines."). #

    [ 17:23 ]

    Por vezes ler os noticiários causa um grande desânimo. No Brasil: presidente inepto, congresso corrupto, direita religiosa avançando, manipulação da opinião pública sobrepujando a resolução de problemas político-sociais. Nos EUA: presidente inepto, congresso corrupto, direita religiosa avançando, manipulação da opinião pública sobrepujando a resolução de problemas político-sociais. Hora de voltar para a Europa? Austrália? Japão? #

    [ 15:00 ]

    Mario Sergio Conti, mais perdido que cebola em salada de frutas: "Meio sem graça, disse ao colega que blog não era a minha. Não saberia fazer um porque o que menos quero na vida é ficar ligado em permanência num fluxo alucinado de verborragia. Mas meu horror não vem só disso. O que há nesses blogs de exibicionismo, de violência verbal, de opinionismo sem fundamento, de gratuidade, numa palavra, de asneira, é algo assustador. Chega a ser pior que ter cinqüenta canais na televisão. Uma amiga matou a charada: na internet, blogs são quase tão ruins quanto pornografia pedófila." #

    quarta-feira, 05 de outubro de 2005

    [ 19:02 ]

    O Leandro Oliveira mandou um email com suas previsões e preferências para o Prêmio Nobel de Literatura: "Acredito que os americanos estão meio em baixa. Parece que a Academia está numa fase de valorização de alguns escritores 'periféricos'. Acredito que se o prêmio for dado a alguém de língua inglesa, será um autor de algum outro país menos esperado (o exemplo é o Coetzee). Aposto bastante na brasileira Nélida Piñon, mas duas coisas vão contra minhas apostas: uma escritora foi premiada recentemente, o que me faz acreditar que neste ano será premiado um autor e o prêmio Príncipe Astúrias foi dado a ela neste ano, quando o processo de seleção já estava bastante avançado." Nélida Piñon nobelizada? Me parece exagero. Mas também acho exagero muitos dos outros premiados, que não se encaixam na idéia original que o Alfred Nobel deixou em seu testamento, de recompensar quem criou algo beneficiando a humanidade. No campo da literatura, imagino que esse benefício possa ser medido através do impacto da obra sobre a história da literatura. Não é difícil perceber a importância do trabalho de alguns laureados antigos, como Rudyard Kipling (1907), Luigi Pirandello (1934) ou Ernest Hemingway (1954), para citar somente uns poucos, ou mesmo de laureados mais recentes, como Elias Canetti (1981), Gabriel García Márquez (1982) ou William Golding (1983), para ficar só com a trinca do início da década de oitenta. Mas existem muitos nomes na lista de premiados que serão lembrados mais por estarem lá do que pela sua obra. #

    [ 18:45 ]

    Alain Sechas na Bienal de Valencia: Platée. #

    [ 15:24 ]

    Exemplificando o post anterior, uma lista de discussão que perdeu o interesse para mim teve hoje um episódio emblemático. O tema é jornalismo online, o grupo é formado principalmente por jovens profissionais e estudantes universitários, e o nível é constrangedoramente baixo. Um rapazinho envia uma mensagem pedindo ajuda à lista. Ele precisa de duas sugestões de pauta para um trabalho freelancer e aparentemente não consegue pensar em coisa alguma, o que já é triste. Para piorar um pouco, ele, teoricamente um jornalista letrado, escreve "as matérias precisão ser atemporais" e "fico aguardando idéias anciosamente". Total falta de familiaridade com uma ferramenta básica da sua profissão, o idioma. Aí uma colega bem-intencionada se dispõe a ajudar e pede que o rapazinho "mande o seu endereço eletrônico para que possa entrar em contato", aparentemente incapaz de consultar o header do email onde obviamente consta o tal endereço, como qualquer jornalista deveria saber. Total falta de familiaridade com uma ferramenta básica da sua profissão, a internet. Não surpreende que esse pessoal diplomado depois produza o jornalismo de baixa qualidade que vemos por todo o país. #

    [ 15:13 ]

    Sou um aficcionado das listas de discussão, desde os tempos de BBS sempre achei ótimo trocar idéias em grupo por email. Nem sempre é uma convivência fácil, tanto pelas características do próprio email (por exemplo, freqüentemente temos que intuir o tom das mensagens, que vêm sem sonoridade vocal ou linguagem corporal para complementar o texto) como pelo comportamento de alguns participantes (por exemplo, muita gente participa não para trocar idéias mas somente para atacar quem pensa diferente). Mesmo assim, boas listas de discussão trazem informação e reflexão, e fazem parte da minha rotina juntamente com a leitura de jornais e weblogs. Como os conteúdos das listas variam com o tempo, e como também o meu interesse por determinados temas varia, vez por outra repenso as afiliações, saio de alguns grupos e procuro novos ambientes. Hoje estou fazendo uma limpeza destas, acionando a função unsubscribe de várias listas de discussão. Aceito sugestões de listas com gente inteligente e discussões interessantes. #

    terça-feira, 04 de outubro de 2005

    [ 20:24 ]

    Assisti em dvd Wonderland (EUA, 2003), do James Cox. Apesar de não ter conseguido simpatizar com qualquer dos personagens, achei um filme interessante. O que mais me atraiu foi a forma que o episódio central da trama é apresentado, através de flashbacks com versões diferentes dos fatos de acordo com vários personagens. Todos ladrões, traficantes, viciados, exploradores, com o ator pornô John Holmes como centro da narrativa. O elenco é bom, com Val Kilmer protagonizando e várias atrizes cômicas (mas aqui em papéis dramáticos) como coadjuvantes: Lisa Kudrow (de Friends), Christina Applegate (de Married with Children), Janeane Garofalo (de Saturday Night Live). Aparecem também, em papéis minúsculos, Carrie Fisher (a Leia Organa de Star Wars) e Paris Hilton (a milionária brega). Curiosidade: Ted Levine, que interpreta o investigador Sam Nico, já participou de uma série de tv também chamada Wonderland mas sem relação com este filme (para quem não lembra, ele também foi o serial killer de Silence of the Lambs e o capitão de polícia da série Monk). #

    [ 14:22 ]

    Todos os roteiros da série de tv: Monty Python's Flying Circus. #

    [ 14:19 ]

    Tampas de bueiro do Japão: Manholes of Japan. #

    segunda-feira, 03 de outubro de 2005

    [ 15:55 ]

    Assisti em dvd Homeland Security (EUA, 2004), do Daniel Sackheim, aparentemente um episódio-piloto de série de tv que nunca foi feita. O roteiro mistura fatos históricos (os ataques terroristas de setembro de 2001 e a formação do Department of Homeland Security) com personagens e situações fictícias, deixando (propositadamente?) o espectador na dúvida entre o que é real e o que é inventado. A idéia é apresentar o DHS como um grupo heróico de patriotas lutando contra o terrorismo, quase como se fossem os Intocáveis de Eliot Ness. Detalhes inconvenientes como o Patriot Act ou a burocracia fora de controle nem são mencionados. O Afeganistão é bombardeado e nenhum civil morre. Os chefes do DHS se dizem empenhados em não criar uma nova Gestapo, mas a única medida que tomam em relação aos inocentes presos somente por razão racial ou religiosa é "acelerar a triagem". A agente do FBI que vai ser demitida por conduta imprópria é chamada para trabalhar no DHS, onde os fins justificam os meios. Se ainda restasse alguma dúvida sobre o posicionamento do filme, no final aparece o presidente Bush fazendo um discurso e sendo aplaudido pelos personagens. O Scott Glenn e o Tom Skerritt deveriam se envergonhar por aparecer numa coisa dessas. #

    [ 14:30 ]

    Quem vai levar o Prêmio Nobel de Literatura deste ano? Mais um daqueles autores dos quais eu nunca tinha ouvido falar antes do evento, como o sírio Ali Ahmad Said ou o coreano Ko Un? Ou será novamente a vez de um escritor dos EUA, país cheio de candidatos como a Joyce Carol Oates, o Philip Roth ou o Don DeLillo? Eu gostaria de ver o Antonio Tabucchi nobelizado, mas se o prêmio for para um italiano é mais fácil darem para o Claudio Magris. Só espero que não escolham o Milan Kundera, o autor mais superestimado da década de oitenta. #

    domingo, 02 de outubro de 2005

    [ 22:41 ]

    Esta semana no Burburinho, um texto do Ricardo Bittencourt sobre Laplace e Prokudin-Gorskii e um texto da Priscila Martins sobre Anne Bonny, a Pirata. Seja um burbunauta bem informado e receba por email, gratuitamente, todas as edições do nosso boletim. #

    sábado, 01 de outubro de 2005

    [ 15:29 ]

    Li as doze primeiras revistas da série em quadrinhos The Authority, as que têm roteiro do Warren Ellis e arte do Bryan Hitch, os criadores do título. Eu sei que muita gente levou a sério esse universo de super-heróis, mas para mim parece uma grande brincadeira do Ellis, parodiando vários elementos do gênero. Todos os personagens com alguma relevância são super-heróis ou super-vilões, com os mortais comuns aparecendo somente como pano de fundo, em geral morrendo horrivelmente ou tentando escapar de alguma catástrofe. Os heróis estão tão afastados da rotina do planeta que nem mesmo moram nele, preferindo habitar uma espaçonave-mansão-fortaleza que ocupa vários lugares ao mesmo tempo, só saindo de lá para as grandes batalhas mostradas em painéis panorâmicos cheios de explosões, com vitória de quem tem maior poder de destruição e menos pudores em usá-lo. Além disto, alguns personagens são evidentemente pastiches de heróis bem conhecidos, como Apollo, obviamente um Superman gay, e Midnighter, obviamente um Batman gay. Como paródia, The Authority tem alguns bons momentos. #