segunda-feira, 31 de março de 2008

[ 23:13 ]

Quero morar numa zeroHouse. #

[ 22:50 ]

Balanço de março: assisti 26 filmes e 73 episódios de séries de tv, li um livro e meio. Só. #

[ 12:09 ]

Terminei de assistir a sexta temporada de Star Trek: Voyager. Vários episódios fracos: B'Elanna visitando o inferno Klingon (Barge of the Dead), Seven cuidando de crianças resgatadas do coletivo Borg (Collective), Neelix contando histórias assustadoras para essas mesmas crianças (The Haunting of Deck Twelve), Janeway tentando incentivar membros menos motivados da sua equipe (Good Shepherd), a tripulação toda passando seus momentos de lazer num vilarejo irlandês do século XIX no holodeck (Fair Haven e Spirit Folk). O pior de todos talvez tenha sido Fury, que traz de volta a Kes numa trama absurda de viagem no tempo, incluindo mudanças radicais no personagem para acomodar a história que eles queriam contar. Alguns episódios bacaninhas: Chakotay, Tom e Seven resgatam uma nave que explorou Marte no século XXI (One Small Step), o doutor encontra uma platéia alienígena ávida pelos seus dotes musicais (Virtuoso), um bando de vigaristas intergaláticos finge ser a tripulação da Voyager (Live Fast and Prosper). Três episódios se destacam, por razões diferentes. Em Blink of an Eye, a Voyager orbita um planeta onde o tempo transcorre mais rapidamente, permitindo que a tripulação observe o desenvolvimento de uma civilização da idade da pedra até a conquista do espaço. A premissa tem vários problemas técnicos (por exemplo, num planeta girando 58 vezes por minuto, cifra oferecida pelo Tuvok, dia e noite seriam fenômenos muito diferentes do que vemos) mas permite apresentar uma história interessante (e também uma homenagem a um episódio da série original, Wink of an Eye) com ramificações interessantes (por exemplo, os anos-segundos que o doutor passa no planeta). O ator convidado é o Daniel Dae Kim, o Jin de Lost. Em Muse, B'Elanna cai num planeta com civilização semelhante à da Grécia clássica e se transforma em musa inspiradora de um dramaturgo. A reinterpretação das aventuras da Voyager através de um filtro mitológico e das convenções teatrais é engenhosa, mas o ponto forte da história é o manifesto antibelicista embutido na história. Claro que o episódio foi originalmente exibido em 2000, bem antes da invasão do Iraque, para a qual ele poderia ter sido uma bela resposta. Em Life Line, o doutor é transmitido para uma estação espacial orbitando Júpiter, para tentar salvar a vida do seu criador, Lewis Zimmerman. O encanto do episódio está em ver o Robert Picardo, o melhor ator da série, contracenando com ele mesmo, como humano e como holograma, ambos teimosos e temperamentais mas com diferenças sutis de comportamento. Em termos de convidados especiais, o episódio Tsunkatse leva facilmente o prêmio da temporada: tem o Jeffrey Combs, de Re-Animator e From Beyond, como um organizador de espetáculos de luta, e tem o Dwayne Johnson, mais conhecido como The Rock, de The Scorpion King e Walking Tall, como o lutador que vai enfrentar a Seven of Nine. #

[ 09:28 ]

Som do dia: Patti Smith. Estou ouvindo o álbum de estréia, Horses, aquele com foto do Robert Mapplethorpe na capa. #

[ 09:17 ]

Há dez anos, exatamente no dia 31 de março de 1998, eu publicava meu primeiro weblog, o modesto Diário da Megalópole, possivelmente o primeiro weblog feito em língua portuguesa. #

domingo, 30 de março de 2008

[ 22:17 ]

Sessão tripla com filmes antigos de piratas em dvr. Captain Blood (EUA, 1935), do Michael Curtiz, tem o Errol Flynn como médico que vira prisioneiro que vira escravo que vira pirata que vira herói patriota, um personagem saído da imaginação do Rafael Sabatini, o mesmo autor do famoso Scaramouche. A mocinha é a Olivia de Havilland, que depois voltaria a fazer par com o Errol Flynn em vários outros filmes, incluindo The Charge of the Light Brigade e The Adventures of Robin Hood, ambos também do Michael Curtiz. A história de Captain Blood é extremamente ingênua e cheia de reviravoltas improváveis, mas não deixa de ser divertido assistir as peripécias do espadachim galante. Minha cena preferida é o duelo com o pirata Levasseur, interpretado pelo Basil Rathbone, que além de ter sido o mais famoso Sherlock Holmes das telas também foi o vilão de The Adventures of Robin Hood, onde duelou mais uma vez com o Errol Flynn. The Buccaneer (EUA, 1938), do Cecil B. DeMille, conta a história de como o pirata Jean Lafitte, interpretado pelo Fredric March (Oscar por Dr. Jekyll and Mr. Hyde), ajudou o general Andrew Jackson a defender New Orleans dos invasores ingleses. Claro que o episódio é romanceado e a motivação do Lafitte do filme é ser aceito como um gentleman pela sociedade local para poder casar com a mocinha de família nobre. Em papéis pequenos aparecem o Walter Brennan (veterano ator coadjuvante de westerns, com três Oscars no currículo) e o Anthony Quinn (genro do diretor, acabaria dirigindo o remake de The Buccaneer vinte anos depois, com o Yul Brynner como protagonista). Captain Kidd (EUA, 1945), do Rowland V. Lee, também tem um pirata saído dos livros de história, mas o trata como vilão e não como herói. Para interpretar o malvado William Kidd foi escolhido o inesquecível Charles Laughton, que já tinha sido Dr. Moreau, Henry VIII, Javert e Quasimodo. Mesmo sabendo que o pirata tinha um encontro marcado com a forca do rei William, foi difícil não torcer a seu favor e contra o mocinho aristocrata vingador Randolph Scott. A trama tem alguns elementos de luta de classes, com o pirata plebeu aspirando uma vida de gentleman, uma ascensão social quase impossível na época e uma idéia condenada até mesmo por outros plebeus (comportamento exemplificado pelo criado Shadwell, que demonstra seu desprezo pelo patrão plebeu até o fim). #

sábado, 29 de março de 2008

[ 10:14 ]

Na próxima sexta-feira começa a quarta e última temporada de Battlestar Galactica. Ontem, como preparação, o Sci-Fi Channel exibiu dois documentários curtos, um recapitulando o que aconteceu até agora, outro falando sobre a repercussão da série entre alguns fãs famosos. A grande expectativa parece girar em torno da identidade do último cylon e do mistério da volta da Starbuck. Mas eu estou curioso para ver como eles vão explicar a revelação (na temporada anterior) que o coronel Tigh é um cylon. O Saul Tigh, assim como o William Adama, é um veterano da primeira guerra contra os cylons. Cerca de quarenta anos depois desta guerra, os cylons desenvolveram seus primeiros modelos com aparência humana. Como pode o Tigh ser um destes modelos? #

[ 09:55 ]

Ontem a temperatura estava nos 72°F (22°C). Hoje caiu para 42°F (5°F). Como resultado da noite fria, agora estou resfriado e com vontade de passar o sábado todo na cama assistindo televisão. #

sexta-feira, 28 de março de 2008

[ 18:41 ]

Está na moda falar sobre o planeta Terra sem seres humanos por aqui. Primeiro, o livro The World Without Us, do Alan Weisman, que eu ainda não li mas está na minha wish list. Em seguida, o documentário Life After People no History Channel, que assisti em janeiro. E depois o documentário Aftermath: Population Zero no National Geographic Channel, que eu tinha gravado e assisti ontem. Gostei mais do filme do History Channel, principalmente por incluir depoimentos de vários cientistas, mas esta produção da National Geographic teve um interesse adicional por apresentar a questão de um ângulo ligeiramente diferente. Em Life After People, o ponto de partida é a ausência de seres humanos no planeta, como se todos tivessem resolvido migrar para destinos mais aprazíveis. Em Aftermath: Population Zero, o ponto de partida é o desaparecimento súbito de todas as pessoas, resultando numa série de desastres inexistentes no outro filme: automóveis se chocando, aviões caindo, usinas nucleares vazando material radioativo, etc. O final, porém, é semelhante nos dois casos. Como diria o Ian Malcolm em Jurassic Park, "life finds a way". #

quinta-feira, 27 de março de 2008

[ 18:15 ]

Continuando meu passeio pelo mundo do anime, assisti em dvd Whisper of the Heart (Mimi wo Sumaseba, Japão, 1995), do Yoshifumi Kondo. É uma historinha simples sobre uma menina de quatorze anos tentando descobrir sua vocação e encontrando seu primeiro namoradinho, mas a narrativa transcorre de forma tão simpática e tão verossímil que o filme se torna interessante mesmo para quem, como eu, em outras circunstâncias não estaria interessado em peripécias de adolescentes. O Hayao Miyazaki escreveu o roteiro e desenhou os storyboards (tudo baseado nos quadrinhos da Aoi Hiiragi), e incluiu várias referências a outros filmes do seu Studio Ghibli (um relógio marca Porco Rosso, uma boneca da bruxinha Kiki, etc). Bacaninha. #

[ 10:42 ]

Dez coisas para fazer enquanto você se barbeia em frente ao espelho:

  • Definir como gastaria um prêmio da loteria de um milhão de dólares.
  • Selecionar os livros que levaria para uma ilha deserta.
  • Elaborar sua plataforma eleitoral para a eleição à presidência dos EUA.
  • Listar os cinco melhores filmes com macacos como elemento importante da história.
  • Imaginar o que faria se fosse um dos náufragos da série Lost.
  • Decorar os trinta primeiros números primos.
  • Preparar seu discurso de agradecimento para quando ganhar um Oscar.
  • Escolher que animal queria ser se não pudesse ser humano.
  • Burilar a trama do próximo conto que vai escrever.
  • Criar uma lista de coisas para fazer enquanto você se barbeia em frente ao espelho.
    #

    [ 10:29 ]

    Som do dia: Rickie Lee Jones. Estou ouvindo o álbum triplo Duchess of Coolsville, coletânea dos sucessos da moça. #

    quarta-feira, 26 de março de 2008

    [ 21:12 ]

    Depois de rever Alice's Restaurant, fiquei aqui pensando sobre os filmes daquela época, mais especificamente daquele ano. Três títulos foram marcantes para mim, representativos de novos comportamentos e abrindo caminho para muitas idéias interessantes (obviamente, só fui assistir estes filmes mais tarde, lá pelo meio dos anos setenta, quando já era adolescente): Alice's Restaurant (indicado ao Oscar de melhor diretor), Bob & Carol & Ted & Alice (indicado aos Oscars de ator coadjuvante, atriz coadjuvante, cinematografia e roteiro) e, claro, Easy Rider (indicado aos Oscars de ator coadjuvante e roteiro). #

    [ 20:49 ]

    Assisti em dvr Alice's Restaurant (EUA, 1969), do Arthur Penn, um filme que eu não via há muitos anos. O ponto de partida é a famosa canção folk de mesmo nome do Arlo Guthrie, em que ele conta como foi preso por ter jogado lixo onde não era permitido e mais tarde, por causa disto, escapou de ser mandado para a guerra do Vietnam. A música é longa (mais de dezoito minutos) mas mesmo assim não tem história suficiente para preencher um longa-metragem, então o roteiro envereda também por subtramas adicionais como o problema com drogas de um amigo e a doença do pai do protagonista (Woody Guthrie, também músico folk). O elenco é curioso: Arlo Guthrie interpreta a si mesmo, com um rostinho imberbe de aparência inocente; a estreante bonitinha Patricia Quinn interpreta a Alice Brock, dona do restaurante do título; o James Broderick, pai do Matthew Broderick, interpreta o maridão Ray Brock; o policial William Obanhein interpreta a si mesmo, o Officer Obie da canção; o juiz cego James Hannon também faz seu próprio papel na reencenação do julgamento que realmente aconteceu. Não é um grande filme mas apresenta um retrato precioso de uma geração, tocando em temas como antibelicismo, coletivismo, poliamorismo, e outros ismos. E a canção, claro, é até hoje um hino pacifista, repetida por muitas rádios do país todos os anos no Thanksgiving Day. "You can get anything you want at Alice's Restaurant / You can get anything you want at Alice's Restaurant / Walk right in it's around the back / Just a half a mile from the railroad track / You can get anything you want at Alice's Restaurant..." #

    [ 12:55 ]

    Som do dia: Post, talvez o álbum mais agradável da Björk. Curiosamente, eu não consigo mais ouvir as músicas da Björk sem lembrar daquela roupinha de cisne que ela usou na cerimônia do Oscar em 2001. #

    [ 10:14 ]

    O final de Jericho ontem à noite não foi estupendo mas foi bacaninha. Algumas passagens me pareceram um pouco apressadas (por exemplo, a conversão do major Beck de milico exemplar a milico rebelde) e outras um bocado piegas (por exemplo, o discurso do Eric Green sobre combater contra soldados americanos), porém mesmo assim gostei de ver as artimanhas do Robert Hawkins e as correrias do Jake Green juntarem-se numa última missão suicida. Tudo indica que não haverá uma terceira temporada de Jericho, mas ficou aberta a porta para uma nova guerra civil. Talvez, como aconteceu com Firefly e Serenity, ainda possamos ter um longa-metragem com os mesmos personagens? #

    terça-feira, 25 de março de 2008

    [ 15:21 ]

    Assisti em dvd Howl's Moving Castle (Hauru no Ugoku Shiro, Japão, 2004), do Hayao Miyazaki. Apesar da história original não ser dele (o Howl's Moving Castle original é um livro da britânica Diana Wynne Jones), o filme parece uma compilação de todos os elementos miyazakianos que conhecemos: protagonista feminina passando por processo de amadurecimento, engenhocas mecânicas com aspecto steampunk, pessoas transformadas em animais ou objetos, máquinas voadoras e outros tipos de vôo, entrecruzamento do mundo real com o mundo mágico. A narrativa varia entre o aventuresco e o poético, tendo em primeiro plano uma história de descoberta individual (Sophie) e um romance com pelo menos quatro integrantes (Sophie, Howl, a bruxa e o espantalho), enquanto ao fundo se desenrola uma trama de guerra e paz. Uma das coisas que achei mais bacana foi como a idade aparente da Sophie varia conforme a situação e a sua reação aos acontecimentos. A versão em inglês tem vozes famosas: Christian Bale, Lauren Bacall, Billy Crystal, Emily Mortimer, entre outros. #

    [ 10:36 ]

    Comecei a ler The Subtle Knife, do Philip Pullman, segundo volume da trilogia His Dark Materials. Início interessante, com um novo personagem (o menino Will Parry) num cenário diferente (que parece ser o nosso mundo contemporâneo, com automóveis e telefones). #

    [ 10:28 ]

    Jogo da vez: Geneforge 4: Rebellion, o mais recente título da série. A história começa onde a anterior termina, exatamente no meio de uma guerra entre os rebeldes e os legalistas, mas desta vez a opção de perfis para o protagonista é maior (cinco classes em vez das três dos primeiros jogos). #

    segunda-feira, 24 de março de 2008

    [ 16:18 ]

    Assisti em dvr Attack of the Puppet People (EUA, 1958), do Bert I. Gordon. Um velho fabricante de bonecas inventa um processo de miniaturizar pessoas e passa a colecionar pequenos companheiros para preencher sua solidão. A trama é bobinha e os diálogos são simplórios, num filme feito no rastro do sucesso de The Incredible Shrinking Man (lançado no ano anterior) mas sem qualquer outro atrativo além dos efeitos especiais. Na mesma linha, o Tod Browning já tinha feito The Devil Doll mais de vinte anos antes, com uma história bem melhor. #

    [ 11:14 ]

    Filme bacaninha em time lapse feito com uma câmara fotográfica: Eclectic 2.0. (O autor, Ross Ching, explica em outro filme foi a produção: The Making of Eclectic 2.0.) #

    [ 10:28 ]

    Talvez não seja novidade para usuários experientes de Mac OS X, mas eu só descobri hoje, por acaso. Se pressionamos a tecla shift enquanto estamos minimizando ou maximizando uma janela, aquele efeito visual característico (the Genie effect) acontece em slow motion. Inútil porém divertido. #

    domingo, 23 de março de 2008

    [ 20:47 ]

    Eu já tinha assistido o filme em 2004, mas para não quebrar a série miyazakiana vi novamente em dvd Spirited Away (Sen to Chihiro no Kamikakushi, Japão, 2001), do Hayao Miyazaki. Grande explosão de imaginação e criatividade, com uma história passada no mundo dos espíritos, onde a menina Chihiro vai procurar a cura para a maldição que transformou seus pais em porcos. A trama inclui diversos tipos de criaturas mitológicas, de dragões amigáveis a monstros sem rosto devoradores de gente, e também estranhezas como um bebê gigante, um trio de cabeças sem corpo, um monstro-rabanete, um velhote com pernas e braços de aranha, e um bando de espíritos de fuligem (os mesmos que aparecem em My Neighbor Totoro). Mais uma vez, é uma história de amadurecimento de uma menina através de aventuras perigosas (e também do reecontro com a tradição, representada aqui pelo mundo dos espíritos que pode parecer uma versão nipônica de Alice's Adventures in Wonderland mas que está fortemente ancorado na mitologia japonesa). Bacana. #

    [ 12:35 ]

    Consegui terminar Geneforge 3, o jogo mais difícil desta série. Os monstros são numerosos e poderosos, a experiência ganha em cada combate é pequena, o equipamento realmente bom só fica disponível quando a aventura já vai bem avançada, e algumas passagens são desafios que exigem muitas tentativas até serem superados. Enfim, diversão garantida por horas e horas. #

    sábado, 22 de março de 2008

    [ 20:27 ]

    Assisti We Own the Night (EUA, 2007), escrito e dirigido pelo James Gray. Começou mal com uma apresentação estereotipada e até um pouco moralista dos personagens, melhorou um bocado pelo meio com alguns momentos de tensão e ação, e se perdeu completamente na última parte com acontecimentos inverossímeis e cenas ridículas. Para piorar um pouco, o herói é interpretado pelo Joaquin Phoenix, que como o Nicolas Cage é especialista em fazer cara de "eu sou intenso". O elenco tem ainda o Mark Wahlberg, o Robert Duvall e a Eva Mendes. Muito fraquinho. #

    [ 17:05 ]

    Terminei The Golden Compass, do Philip Pullman. Como esperado, o livro é bem mais interessante que o filme. A maior diferença está no final, que no original literário tem um reencontro da Lyra Belacqua com o Lord Asriel e uma explicação sobre a poeira mística envolvendo narrativas da Bíblia e teorias da física quântica, tudo isto eliminado da versão cinematográfica. Existem muitas outras alterações, algumas na aparência dos personagens (por exemplo, no original a mrs. Coulter é morena), outras na ordem dos acontecimentos (por exemplo, no livro a Lyra vai primeiro a Bolvangar, o laboratório secreto dos Gobblers, e só depois a Svalbard, o reino dos ursos), e ainda vários detalhes importantes que são modificados (por exemplo, no original quem tenta envenenar o Lord Asriel é o próprio mestre do Jordan College e não um representante do Magisterium) ou omitidos (por exemplo, após vencer o Ragnar Sturlusson em combate, o Iorek Byrnison devora o seu coração, cena que não me lembro ter visto no filme). O que eu mais gostei em The Golden Compass foi a criação de um mundo quase como o nosso mas com dessemelhanças fundamentais e a engenhosidade com que isso se encaixa na trama (a relação entre as pessoas e seus daemons, o domínio de uma poderosa instituição religiosa sobre vários aspectos da vida diária, a existência de civilizações de criaturas não humanas como os ursos e as bruxas, etc). O próximo livro na minha lista é a segunda parte da trilogia, The Subtle Knife. #

    sexta-feira, 21 de março de 2008

    [ 17:49 ]

    O anime de hoje foi Princess Mononoke (Mononoke-hime, Japão, 1997), do Hayao Miyazaki. É uma aventura passada no Japão medieval, com o choque entre a civilização (representada pela Eboshi Gozen, líder de uma cidadela independente) e a natureza (representada pela princesa do título, que vive entre os animais e os espíritos da floresta). O herói, que transita entre esses dois mundos, é o príncipe Ashitaka, vindo de longe para tentar se livrar de uma maldição que o torna um guerreiro poderoso mas que eventualmente será a causa da sua morte. A história é muito interessante, com diferentes camadas de conflitos (além do já citado civilização versus natureza, temos também armas de fogo contra armas brancas, masculino versus feminino, novo versus tradicional, lealdade versus traição, etc) e sem medo de temas pesados (prostitutas, leprosos, massacres, etc). O melhor Miyazaki desde My Neighbor Totoro. #

    [ 10:13 ]

    Fotos divertidas: René Maltête. #

    [ 10:11 ]

    Esculturas inspiradas em sci-fi: Rik Allen. #

    quinta-feira, 20 de março de 2008

    [ 21:39 ]

    Assisti em dvr The Fountainhead (EUA, 1949), do King Vidor. Aparentemente planejado para ser uma ode ao individualismo empreendedor, não consegue passar de um elogio à teimosia autodestrutiva. Gary Cooper (Oscar por Sergeant York e por High Noon) interpreta Howard Roark, um arquiteto visionário que recusa qualquer tipo de compromisso nos seus projetos: ou os edifícios são construídos exatamente como foram desenhados ou ele prefere não aceitar o contrato, mesmo que isso o leve à falência e o force a se transformar em trabalhador braçal numa pedreira. A intransigência do protagonista poderia até ser defendida como modelo de conduta se não fosse apresentada de forma tão intempestiva e com resultados tão desastrosos. A narrativa, sem muita sutileza, depende de algumas coincidências bem encaixadas para que o herói não tenha um destino infeliz, e no fim apresenta uma cena de tribunal tão inverossímil quanto a do Jack Lemmon defendendo o assassinato de esposas na comédia How to Murder Your Wife. Uma pena, porque considero que a tese central tem méritos se aplicada com algum pragmatismo, e não com o impulso kamikaze do senhor Roark. Imagino que o filme seja fiel ao livro original, já que foi a própria Ayn Rand que escreveu o roteiro. #

    [ 09:52 ]

    Cinco anos de guerra no Iraque. A Reuters marcou a data com um micro-site bacana, Bearing Witness: Five Years of the Iraq War. #

    quarta-feira, 19 de março de 2008

    [ 10:46 ]

    Jericho chega perto do final, talvez avançando um pouco rápido demais para cobrir muita história em poucos episódios mas ainda muito bacana. A mistura de elementos do passado (a revolução americana, por exemplo) e do presente (os prisioneiros de Guantánamo, por exemplo) encaixada num cenário futurístico distópico cria oportunidades excelentes para desenvolvimento dramático e para reflexão política. Melhor frase provocativa do episódio de ontem, do protagonista Jake Green: "This isn't a country, it's a company." #

    [ 10:36 ]

    Sessão dupla com satiristas políticos. Em dvr, assisti Lewis Black: Red, White and Screwed, a apresentação de stand-up comedy que ele fez para a HBO em 2006 aqui em Washington (o Kennedy Center não cedeu suas instalações porque o Lewis Black usa muitos palavrões, então foi usado o Warner Theatre). Em dvd, assisti Bill Maher New Rules, compilação de alguns anos do quadro homônimo no programa Real Time with Bill Maher, também produção da HBO (o dvd foi presente da Jade, que é fã do rapaz). É interessante que algumas das melhores e mais incisivas críticas no cenário político de hoje venham não de jornalistas profissionais ou de comentaristas sérios mas de comediantes como o Lewis Black e o Bill Maher (e o Jon Stewart, e o Stephen Colbert, e a turma do Onion, e a turma do South Park, e tantos outros). Aparentemente só os bobos da corte têm autorização social para provocar a realeza, enquanto o resto da vassalagem se sente na obrigação de não ofender os habitantes do reino onde mostrar-se ofendido é o esporte nacional. #

    terça-feira, 18 de março de 2008

    [ 20:40 ]

    Michael Chabon e os uniformes dos super-heróis: Secret Skin. "Superheroism is a kind of transvestism; our superdrag serves at once to obscure the exterior self that no longer defines us while betraying, with half-unconscious panache, the truth of the story we carry in our hearts, the story of our transformation, of our story’s recommencement, of our rebirth into the world of adventure, of story itself." #

    [ 10:38 ]

    Geneforge 3 é mais simples e mais difícil que os jogos anteriores da série. Mais simples porque em vez das várias facções das outras aventuras aqui a escolha de alianças fica somente entre rebeldes e legalistas. Mais difícil porque apresenta algumas batalhas quase impossíveis de serem superadas. Divertido. #

    segunda-feira, 17 de março de 2008

    [ 20:17 ]

    Porco Rosso (Kurenai no Buta, Japão, 1992), do Hayao Miyazaki, é melhor que Kiki's Delivery Service mas não chega ao mesmo nível de Nausicaä of the Valley of the Winds ou de My Neighbor Totoro. Mais uma vez uma história sobre vôo, agora contando as aventuras do piloto italiano Marco Pagot. Em protesto aos rumos fascistas tomados pelo seu país, ele abandona a força aérea após a primeira grande guerra e se instala numa ilha do Adriático, onde passa a trabalhar como caçador de recompensas. O detalhe estranho da trama é que, vítima de uma maldição, o piloto se transformou num porco bípede, o que explica o título do filme. Algumas partes são muito boas, como o mistério da maldição e a forma como o personagem convive com ela, mas outras são bem menos cativantes, especialmente os piratas aéreos apalhaçados (que infelizmente lembram as piores partes de Castle in the Sky). Apesar do protagonista masculino, o Miyazaki não abre mão de seus personagens femininos fortes, e não só inclui duas heroínas de traços independentes (Gina, dona de um hotel, e Fio, designer e mecânica) mas também toda uma seqüência na Itália onde o avião do Porco Rosso é reconstruído por uma equipe de mulheres. Na dublagem em inglês, o Michael Keaton faz a voz do suíno voador. #

    [ 10:21 ]

    Som do dia: Jimmy Buffett. Numa segunda-feira que vai terminar com muitas bebedeiras por ser Saint Patrick's Day, parece boa idéia tirar do baú o autor de Margaritaville e Why Don't We Get Drunk (sem esquecer suas outras músicas emblemáticas, como Cheeseburger in Paradise e A Pirate Looks At Forty). #

    [ 10:09 ]

    Em três dias, começa oficialmente a primavera. E a temperatura lá fora agora é de 36°F (2°C) com sensação térmica de 28°F (-2°C). #

    domingo, 16 de março de 2008

    [ 22:46 ]

    Sessão dupla em dvr com Dean Stockwell em versão infantil. Primeiro, The Boy with Green Hair (EUA, 1948), do Joseph Losey, uma ingênua fábula contra a guerra. O detalhe mais interessante do filme é que o menino só aparece com cabelo verde na sua própria narrativa enquanto fora dela sempre o vemos com a cabeça raspada, deixando em aberto se a mudança de cor teria realmente acontecido ou se seria somente mais uma das mentiras que ele contava. Depois, The Secret Garden (EUA, 1949), do Fred M. Wilcox, um melodrama sobre segredos familiares e criancinhas órfãs. O final exageradamente açucarado é um bocado previsível e estraga um pouco da atmosfera sombria criada em algumas boas cenas com corredores escuros ou corvos sobrevoando jardins. Eu tinha visto estes dois filmes quando era criança, e revê-los agora teve um atrativo adicional: cores. The Boy with Green Hair foi rodado em Technicolor, mas como a televisão da minha infância era em preto e branco eu nunca tinha visto o cabelo verde do Dean Stockwell. E The Secret Garden, apesar de ser um filme monocromático, tem cenas coloridas no jardim, detalhe que eu desconhecia completamente. Descontando o aspecto nostálgico, a sessão dupla foi fraquinha. Estes diretores fizeram coisas muito melhores, do Joseph Losey recomendo The Assassination of Trotsky, do Fred M. Wilcox recomendo Forbidden Planet. #

    sábado, 15 de março de 2008

    [ 15:23 ]

    Comecei a assistir em dvd a sexta temporada de Star Trek: Voyager. O episódio Equinox, Part II termina a história que ficou pendurada na temporada passada com Equinox, Part I e confirma mais uma vez a calhordice da capitã Kathryn Janeway. Na primeira parte ela já tinha demonstrado desconforto elitista ao ver que a tripulação do USS Equinox chamava o capitão de Rudy, já tinha mentido descaradamente ao dizer que nunca havia contrariado a prime directive, e já tinha assumido sua pose preferida de superioridade moral para condenar as fraquezas alheias. Na segunda parte ela coloca a integridade da nave e a segurança da tripulação de lado e parte numa perseguição obsessiva de dar inveja ao capitão Ahab, interroga um prisioneiro com requintes de crueldade que ficam entre a tortura e a tentativa de assassinato, e reage aos protestos do seu segundo em comando dispensando-o do cargo. Teria sido uma excelente oportunidade para o Chakotay tomar o comando da Voyager, com justificativas legais, mas como ele sempre foi um cachorrinho de madame limita-se a baixar a cabeça para mais tarde voltar correndo e lamber a mão da Janeway. #

    sexta-feira, 14 de março de 2008

    [ 18:44 ]

    Kiki's Delivery Service (Majo no Takkyûbin, Japão 1989) foi até agora o filme do Hayao Miyazaki que eu gostei menos. É uma historinha bem infantil, quase didática, sobre formação de caráter, mas sem o dinamismo de Nausicaä of the Valley of the Wind ou o lirismo de My Neighbor Totoro. É possível identificar vários elementos recorrentes na obra do Miyazaki: personagem central feminino, cidades de arquitetura européia, trama envolvendo vôo e/ou aeronaves. Na dublagem em inglês aparecem as vozes da Kirsten Dunst, da Janeane Garofalo e da Debbie Reynolds. #

    [ 10:12 ]

    Terminei Geneforge 2, ou pelo menos levei o meu personagem até um dos vários finais possíveis para a aventura. Fiquei com vontade de jogar novamente explorando outros caminhos, mas antes quero me dedicar ao jogo seguinte na série, Geneforge 3. #

    [ 09:01 ]

    Feliz Dia do Pi! #

    quinta-feira, 13 de março de 2008

    [ 16:58 ]

    Assisti Lions for Lambs (EUA, 2007), do Robert Redford. Um filme curioso, porque apesar de não ser bom trata de temas muito interessantes e propõe perguntas difíceis de responder. O roteiro do Matthew Michael Carnahan (o mesmo de The Kingdom) apresenta personagens posicionados em ângulos diferentes do problema da guerra travada pelos EUA no oriente médio e questiona qual o papel de cada um de nós num evento destas dimensões: o professor universitário (Robert Redford) que tenta orientar seus alunos para que assumam algum tipo de responsabilidade, mesmo que seja somente lamber os envelopes a serem enviados em alguma campanha grassroots; a jornalista (Meryl Streep) que quer analisar criticamente os discursos governamentais em vez de simplesmente copiar press releases manipulativos; os jovens (Michael Peña e Derek Luke) que reagem à ânsia de participação alistando-se como soldados numa guerra na qual não acreditam completamente; o político belicista e carreirista (Tom Cruise) que brande um sorriso como se fosse uma arma de destruição de massa a serviço de convicções perigosas; o estudante privilegiado e acomodado (Andrew Garfield) que começa a questionar sua própria cumplicidade passiva mas precisa de um forte empurrão para aceitar algum tipo de mudança. O mosaico não é conclusivo mas certamente serve de ponto de partida para uma bela discussão. Infelizmente, pouca gente viu Lions for Lambs, transformando o filme num grande desastre comercial (custou 35 milhões de dólares para ser lançado, rendeu 15 milhões de dólares nas bilheterias) e ironicamente provando uma das idéias do roteiro (que a alienação e a passividade da população são em parte responsáveis pela liberdade com que o governo faz o que quer no oriente médio). #

    [ 12:30 ]

    Comecei a ler a trilogia His Dark Materials, do Philip Pullman. Como a versão que eu tenho é a norte-americana (comprei os três livros por meros doze dólares), o primeiro volume chama-se The Golden Compass, e não Northern Lights como no original britânico. #

    quarta-feira, 12 de março de 2008

    [ 19:52 ]

    Assisti em dvd My Neighbor Totoro (Tonari no Totoro, Japão, 1988), do Hayao Miyazaki. As meninas Satsuki (onze anos) e Mei (quatro anos) mudam-se com o pai para uma velha casa numa região rural do Japão (aparentemente na década de cinqüenta), para ficarem perto do hospital onde a mãe das duas está internada (supostamente com tuberculose). Aos poucos elas vão descobrindo criaturas estranhas na casa e no bosque adjacente, num delicioso mergulho na mitologia popular japonesa. O que torna o filme encantador é a forma com que a mente infantil vai buscando respostas poéticas para os problemas reais que encontram. A história muitas vezes lembra Alice's Adventures in Wonderland, da passagem pelo buraco do coelho (portal para um mundo mágico) ao ônibus felino (com um sorriso semelhante ao do gato de Cheshire). Outro detalhe interessante é de onde saiu o nome do monstrinho do título: "totoro" é a forma errada que a Mei pronuncia "tororu", que é a forma nipônica de pronunciar "troll", aquela criatura da mitologia escandinava. #

    [ 12:30 ]

    Já li quase sessenta das trezentas páginas de Murder with Peacocks, da Donna Andrews, e até agora nada do assassinato prometido no título. Talvez eu nem tivesse notado a tardança do crime se toda esta introdução prolongada não falasse exclusivamente de encontros familiares e preparativos para casamentos, assuntos que não me despertam o interesse. Ao menos o livro é bem escrito, mas deveria vir com um aviso na capa: "mistério criminal recomendado para moçoilas casadoiras". #

    terça-feira, 11 de março de 2008

    [ 20:47 ]

    Assisti Hitman (EUA-França, 2007), do Xavier Gens. Ainda não foi desta vez que transportar um jogo de computador para as telas de cinema deu bom resultado. Já vimos algumas adaptações ridículas como Street Fighter ou BloodRayne, outras um pouco melhores como Resident Evil ou Tomb Raider, mas ainda não surgiu um filme inspirado em videogame que realmente entusiasmasse. Hitman tem uma história simplória, um par de cenas de ação razoáveis, e pouco mais que isso. O Timothy Olyphant (de Dreamcatcher) é o assassino do título (em vez de nome ele tem um número, 47), o Dougray Scott (de Mission: Impossible II) é o agente da Interpol que o persegue, a Olga Kurylenko (a modelo que em breve será bond girl) é a indefectível prostituta russa (esses filmes de ação passados na Europa oriental sempre têm uma prostituta precisando ser salva), e o Henry Ian Cusick (o Desmond de Lost) aparece num papel pequeno e sem seu famoso sotaque escocês. Só recomendável para quem é fanático pelo jogo. #

    [ 11:35 ]

    Dois textos interessantes sobre a Wikipedia: The Charms of Wikipedia no jornal The New York Review of Books e The Battle for Wikipedia's Soul na revista The Economist. #

    [ 09:42 ]

    Ontem por volta das onze da noite, as luzes se apagaram. Um incêndio num transformador aqui perto deixou cerca de cinco mil residências sem energia elétrica. Como o meu edifício tem gerador próprio, fui para o corredor com um livro e aproveitei as luzes de emergência para ler um pouco. O pior foi a falta de aquecimento no apartamento, tive que dormir com vários cobertores e acolchoados para não sentir frio. Quando acordei a normalidade já havia retornado, permitindo o uso de computador, microondas, televisão, aquecedor, e outras pequenas maravilhas elétricas. #

    segunda-feira, 10 de março de 2008

    [ 15:06 ]

    A CNN tem sido sensacionalista e tendenciosa em sua cobertura das eleições, mas ontem eles perderam completamente a noção do que é jornalismo e se atolaram no pântano das analogias exageradas e descabidas com um segmento chamado Queen Kong versus Barack-zilla, comparando a Hillary e o Obama aos famosos monstros cinematográficos e usando trechos de filmes com as criaturas destruindo New York. Aficcionados de teorias conspiratórias podem acusar a CNN de fazer propaganda subliminar negativa, mas para mim parece só mais um exemplo da grande necessidade de transformar qualquer notícia (ou mesmo a ausência de notícias) em entretenimento pueril, tudo isso nas mãos de profissionais com uma incompetência do tamanho do King Kong e uma falta de preparo do tamanho do Godzilla. #

    [ 11:17 ]

    Na semana passada eu disse que Nausicaä of the Valley of the Wind, do Miyazaki, me fez lembrar dos quadrinhos do Moebius. Agora descobri que a ligação é mais forte que eu imaginava. Declaração do Miyazaki: "I directed Nausicaä under Moebius' influence." (Ciné Live) Declaração do Moebius: "Nausicaä is such a splendid work that it doesn't even need to be complimented." (Viz Comics) Aí o Moebius fez uma ilustração da Nausicaä e o Miyazaki fez uma ilustração do Arzach e em 2004 os dois acabaram fazendo uma exposição juntos em Paris, Miyazaki et Moebius: Deux Artistes Dont Les Dessins Prennent Vie. Para completar, o Moebius tem uma filha chamada Nausicaa Giraud. #

    [ 10:45 ]

    Afinal, mr. Adams, por que 42? What on earth is 42? #

    domingo, 09 de março de 2008

    [ 16:58 ]

    Castle in the Sky usa a mesma ilha voadora que o Gulliver visitou no livro do Swift, chamada Laputa. Na Inglaterra, o filme foi lançado com o título Laputa: The Flying Island. Aqui nos EUA, preferiram mudar para Castle in the Sky e eliminar a palavra que poderia ser mal interpretada por quem fala castelhano. Isso me fez lembrar que quando morei na Espanha vi uma versão do livro Los Viajes de Gulliver em que tinham trocado o nome da ilha para Lupata, numa tentativa de proteger as criancinhas dos maus modos do satirista inglês. #

    [ 16:52 ]

    Assisti em dvd Castle in the Sky (Tenkû No Shiro Rapyuta, Japão, 1986), do Hayao Miyazaki. O tema central é bacaninha, misturando a ilha voadora apresentada pelo Jonathan Swift no livro As Viagens de Gulliver (século XVIII), uma cidade de operários e mineradores inspirada na época da revolução industrial (século XIX), e aeroplanos e dirigíveis da época da primeira grande guerra (século XX), tudo com um verniz quase steampunk. Infelizmente, o filme tem também um componente que para mim estraga completamente a fruição da aventura: um grupo de personagens secundários apalhaçados para fazer um contraponto humorístico à seriedade da trama principal. Castle in the Sky poderia ser uma boa história de ficção-científica, mas com aquele bando de piratas aéreos infantis e careteiros torna-se uma comédia irritante marginalmente interessante. A dublagem em inglês teve o James Van Der Beek (de Dawson's Creek), a Anna Paquin (Oscar por The Piano), a Cloris Leachman (de Young Frankenstein) e o Mark Hamill (de Star Wars). #

    sábado, 08 de março de 2008

    [ 14:54 ]

    Leituras interessantes sobre os novos mercados dos mundos em colisão: na revista Wired, Free! Why $0.00 Is the Future of Business, do Chris Anderson; no weblog The Technium, Better Than Free, do Kevin Kelly; no weblog do Seth Godin, The Live Music Talk, do próprio. #

    [ 12:02 ]

    Assisti Run Fatboy Run (EUA-GB, 2007), pela curiosidade de ser a estréia como diretor de cinema do David Schwimmer, o Ross Geller da série Friends. A julgar somente por este filme, porém, ele faria melhor se voltasse à carreira de ator. A história do preguiçoso irresponsável (Simon Pegg, de Shaun of the Dead, também co-roteirista) que resolve correr uma maratona para impressionar a mulher com quem teve medo de se casar (Thandie Newton, de Mission: Impossible II e The Truth About Charlie) é em seus melhores momentos bem bobinha e em seus piores momentos extremamente piegas. A melhor coisa do filme nem está no filme: é a referência velada à maratona dos jogos olímpicos de 1984 em Los Angeles, quando a corredora suíça Gabriela Andersen-Schiess, apesar de evidentemente não ter mais condições físicas, fez um esforço assombroso para completar a prova. #

    sexta-feira, 07 de março de 2008

    [ 18:58 ]

    Esta quinta temporada de Star Trek: Voyager teve para mim a melhor cena de toda a série, com The Doctor e Seven of Nine cantando You Are My Sunshine em dueto improvisado e inesperado. O episódio, Someone to Watch Over Me, com uma trama de inspiração pigmaliônica, não era particularmente extraordinário, mas a cena foi memorável por várias razões: porque inclui os dois melhores personagens da série, porque consegue sintetizar inteligentemente as personalidades dos dois, porque caracteriza de forma econômica a dinâmica do relacionamento dos dois, porque a Jeri Ryan tem uma voz muito bonita, porque a voz do Robert Picardo funciona bem como acompanhamento, porque a canção escolhida não tinha grande significado para mim mas a partir de agora sempre vou lembrar de Star Trek quando ouvir por You Are My Sunshine, e finalmente porque a parceria musical entre uma ex-borg e uma projeção holográfica num intervalo lúdico no meio do nada a milhares de anos-luz de um lar idealizado que na verdade não é a casa de nenhum deles tem ao mesmo tempo uma singeleza inusitada e uma riqueza de significados encobertos. #

    [ 18:42 ]

    Terminei de assistir em dvd a quinta temporada de Star Trek: Voyager. Destaque para a quantidade e qualidade de convidados especiais: Ray Walston (de My Favorite Martian) em In the Flesh, LeVar Burton (repetindo seu papel de Geordi La Forge) em Timeless, Lori Petty (de Tank Girl) em Gravity, Jason Alexander (de Seinfeld) em Think Tank, Kevin Tighe (de Lost) em 11:59, Jay Karnes (de The Shield) em Relativity, John Savage (de The Deer Hunter e Hair) em Equinox. A temporada foi desigual e teve alguns dos melhores e alguns dos piores episódios da série. Gostei de Timeless, o centésimo episódio, que mostra o Harry e o Chakotay no futuro tentando corrigir um erro que levaria a Voyager ao desastre no presente. A trama é bacanina, incluindo viagem no tempo sem presença material e também os inevitáveis paradoxos temporais ("Wait a second. If I sent a message from the future and changed the past, then that future would no longer exist, right? So how could I have sent the message in the first place?"). Gostei mais ainda de Relativity, outro episódio sobre viagens no tempo, desta vez com múltiplas incursões e várias versões dos mesmos personagens em épocas diferentes, criando um curioso emaranhado de cronologias. Supervisionando a bagunça aparece uma nave do século XXIX, a USS Relativity, comandada pelo capitão Braxton, o mesmo que já vimos na terceira temporada em Future's End (mas interpretado aqui por outro ator). Dois episódios que não chegaram a entusiasmar mas apresentaram interessantes dilemas morais foram Nothing Human (é aceitável usar os resultados de pesquisas que envolveram crueldade com os pacientes?) e Latent Image (quando duas pessoas estão em perigo mas só é possível salvar uma delas, como escolher e como viver com essa escolha?). Três episódios dividem o título de pior da temporada: Once Upon a Time, com a pequena e irritante Naomi se preocupando com a mãe e brincando no holodeck com personagens saídos de uma Vila Sésamo do século XXIII; The Fight, com Chakotay tendo alucinações sobre uma luta de boxe que na verdade é um programa do holodeck que na verdade são alienígenas tentando se comunicar com a tripulação da Voyager; 11:59, com os antepassados da Janeway no ano 2000 numa história aborrecida que na superfície fala de progresso e ideais mas no fundo trata mesmo de teimosia e aparências. #

    quinta-feira, 06 de março de 2008

    [ 19:14 ]

    Jogo da vez: Geneforge 2, passado numa região para onde escaparam os habitantes da Sucia Island, cenário do primeiro título da série. Mais uma vez, várias alianças possíveis, diversos grupos com objetivos diferentes, posicionamento filosóficos determinando o curso da ação. Divertido. #

    [ 18:57 ]

    Assisti em dvd Nausicaä of the Valley of the Wind (Kaze No Tani No Naushika, Japão, 1984), do Hayao Miyazaki. Uma história de ficção-científica com tons pacifistas e ambientalistas, passada num distante futuro pós-apocalíptico onde insetos gigantes habitam florestas venenosas e os humanos restantes já não sabem exatamente como chegaram àquela situação. A protagonista Nausicaä é a princesa do Vale do Vento, uma pacata comunidade camponesa movida a energia eólica e agora ameaçada pelos guerreiros de Tolmekia, um povo com mais tecnologia bélica e determinado a destruir os insetos ameaçadores e quem mais aparecer pela frente. O tema, a ambientação e até um pouco do estilo visual me fizeram lembrar imediatamente dos quadrinhos do Moebius. Gostei muito. Eu habitualmente assisto filmes na versão original legendada, e mesmo quando são num idioma que não entendo, como o japonês, gosto de ouvir as vozes dos atores e sentir o ritmo das frases, o que cria uma experiência diferente. Neste caso, depois de terminar revi alguns trechos na versão em inglês, porque o elenco escolhido era muito interessante: a Nausicaä ganhou a voz da Alison Lohman (de Matchstick Men), seu conselheiro Lord Yupa fala como o Patrick Stewart (de Star Trek: The Next Generation), a vilã biônica Kushana foi dublada pela Uma Thurman (de Kill Bill), e ainda aparecem o Chris Sarandon (de Fright Night), o Edward James Olmos (de Battlestar Galactica) e o Shia LaBeouf (de Disturbia). #

    quarta-feira, 05 de março de 2008

    [ 10:54 ]

    Esculturas feitas com lápis: Jennifer Maestre. #

    [ 10:50 ]

    Jericho continua em bom ritmo. Os grandes vilões desta segunda temporada são muito bem escolhidos: um governo com traços de ditadura fortemente amparado por força militar, suspeito de ter alcançado o poder através de um ataque nuclear doméstico camuflado de ato de guerra de nações estrangeiras, e uma corporação monopolista controlando todos os aspectos da economia, com um braço armado formado por mercenários, operando com aprovação governamental. O episódio de ontem foi bacana, com avanços significativos na trama e a morte de um personagem importante. #

    [ 10:34 ]

    Ontem começou uma série nova na Fox, New Amsterdam. Gostei da primeira parte da premissa (sujeito imortal trabalha como detetive de homicídios em New York, usando sua experiência de séculos na cidade para resolver mistérios criminais) mas não gostei da segunda (para se livrar do feitiço que o mantém sempre jovem, ele precisa encontrar sua alma gêmea e depois disso poderá envelhecer e morrer normalmente). O caso policial deste primeiro episódio foi fraquinho, o que não contribui muito para uma boa impressão, apesar da direção do Lasse Hallström, indicado a dois Oscars (por My Life as a Dog e The Cider House Rules). O protagonista John Amsterdam é interpretado pelo dinamarquês Nikolaj Coster-Waldau. #

    terça-feira, 04 de março de 2008

    [ 10:57 ]

    Em 2004 resolvi conhecer um pouco mais de anime. Assisti alguns clássicos do gênero, como Gigantor e Kimba, e alguns trabalhos mais recentes, como Grave of the Fireflies e Spirited Away, mas o ciclo foi interrompido com a minha ida ao Brasil. Este mês vou retomar a idéia e assistir mais filmes japoneses de animação, começando com o Hayao Miyazaki, que em 2002 ganhou um Oscar pelo já citado Spirited Away e em 2005 recebeu o Leão de Ouro do Festival de Veneza pelo conjunto da sua obra. #

    [ 10:40 ]

    Terminou ontem, com um episódio duplo, a primeira temporada de The Sarah Connor Chronicles. Não é uma série tão fraquinha como Bionic Woman nem tão horrível como Flash Gordon, mas tampouco é tão bacaninha como Stargate Atlantis ou tão sensacional como Lost. Tem uma boa premissa e um par de atrizes interessantes, porém precisa de roteiros mais engenhosos para entusiasmar. #

    segunda-feira, 03 de março de 2008

    [ 10:36 ]

    Assisti em dvd Slither (EUA-Canadá, 2006), escrito e dirigido pelo James Gunn, o roteirista de Scooby-Doo e Dawn of the Dead. Agradável surpresa, um filme de terror com toques de comédia no melhor estilo dos anos oitenta, lembrando um pouco o tom de Gremlins e Fright Night. Criatura alienígena aterrisa numa cidadezinha dos EUA e começa a invadir os corpos dos habitantes, com resultados por vezes nojentos, por vezes engraçados, por vezes nojentos e engraçados. Nathan Fillion (o Malcolm Reynolds de Firefly) é o destemido xerife, Elizabeth Banks (a Betty Brant de Spiderman) é a mocinha indefesa, Gregg Henry (de Body Double) é o prefeito fanfarrão, Michael Rooker (de Henry: Portrait of a Serial Killer) é o primeiro infectado. Divertido. #

    [ 10:23 ]

    Eu não esperava uma vida muito longa para o meu cd player Insignia, que juntamente com um receptor AM/FM e um par de caixas de som custou menos de cinqüenta dólares. Pois neste weekend, pouco depois do seu aniversário de seis meses e logo em seguida à expiração da garantia, ele resolveu parar de funcionar. Em compensação, o meu iPod nano, ao qual eu já tinha dado atestado de óbito, voltou do mundo dos mortos e parece estar funcionando como se fosse novo. #

    domingo, 02 de março de 2008

    [ 14:20 ]

    No episódio Thirty Days, a Kathryn Janeway manda a Voyager disparar contra a nave pilotada pelo Tom Paris, que havia desobedecido ordens e estava a caminho de contrariar a prime directive para tentar salvar os habitantes de uma planeta oceânico. Ele sobrevive, é rebaixado de tenente para recruta, e ainda tem que passar trinta dias na prisão da Voyager. No episódio seguinte, Counterpoint, a Kathryn Janeway contraria a mesma prime directive para tentar salvar um grupo de refugiados telepatas fugindo dos seus opressores. Ou seja, toda a punição que o Tom Paris recebeu não foi por ter ido contra a prime directive mas por ter desobedecido a capitã velhaca. Ela ignora ordens superiores mas não admite que seus subalternos façam o mesmo. Os dois episódios foram bacaninhas (o primeiro com o Willie Garson, de Sex and the City e Stargate SG-1, e o segundo com o Mark Harelik, de Seinfeld e Will & Grace), mas mostram claramente mais uma razão para não gostar da Janeway. #

    sábado, 01 de março de 2008

    [ 17:03 ]

    Assisti Bee Movie (EUA, 2007), do Steve Hickner e do Simon J. Smith. Desenho animado com vozes conhecidíssimas: Jerry Seinfeld, Matthew Broderick, Renée Zellweger, Patrick Warburton, John Goodman, Chris Rock, e também participações de Larry King, Ray Liotta e Sting, entre muitos outros. A história alterna alguns momentos engraçados e alguns momentos bem bobinhos, e pode ser vista como comédia leve e descompromissada (as trapalhadas de uma abelha descobrindo seu lugar no mundo) ou como instrumento de doutrinação conformista (como o trabalho dos pequenos operários é importante e dignificante). Melhor frase do filme, quando a vaca pergunta se o mosquito é um advogado: "Madame, eu já era um parasita sugador de sangue, só faltava mesmo a pastinha." #

    [ 10:57 ]

    Ontem durante o jantar aprendi uma palavra nova, o neologismo noncutevore: pessoa que não come carne de animais mimosos. #

    [ 10:51 ]

    The Encyclopedia of Life (EOL) is an ambitious, even audacious project to organize and make available via the Internet virtually all information about life present on Earth. #

    [ 10:39 ]

    Ontem fui jantar com a Caroline e o Michael no restaurante argentino El Patio, um lugar simples com boa comida e música ao vivo. Meu prato principal foi um prosaico bife com arroz e batatas fritas. De entrada, empanada de queso. De sobremesa, panqueques de dulce de leche. Yummy! #